
Este artigo foi produzido a partir de reflexões sobre as questões técnicas na Psicoterapia Existencial e a forma como temos encarado o tema. Foi apresentado no I Congresso Internacional de Psicologia Existencial e publicado no caderno de conferências. Na ocasião fiz no blog um comentário sobre o Congresso. Segue um pequeno trecho:
“Creio ter sido este o fator novo que surgiu no Congresso, seu maior legado, a tentativa de pensar a questão da técnica isento de pré-conceitos. Afinal já foi muito explorado, discutido e elaborado nas últimas décadas as questões acerca da fundamentação filosófica e epistemológica, bem como a questão da relação. Esta mais que claro a primazia da relação na Psicoterapia Existencial. Porém o tema da técnica foi deixado de lado, seja por preconceito, por medo ou por ideologia. Finalmente parece que chegou o momento de falar abertamente sobre o tema.” Publicado no blog em 01/10/2013
Procurei fazer uma sistematização das técnicas na abordagem existencial e as dividi em dois grupos: as técnicas relacionais e as direcionais, sendo que o grupo mais polêmico é das técnicas relacionais pois são manejos que estão na fronteira entre técnica e relação e permitem ao terapeuta ser ele mesmo, autêntico, pessoa. Comentei e refleti sobre o tema em um artigo posterior já publicado no blog em 26/01/2015 denominado “Acolhimento: estratégia ou função?”.
O artigo que segue na íntegra tem como objetivo contribuir para esta reflexão fundamental, principalmente nos dias de hoje, para o desenvolvimento da Psicoterapia Existencial, que ultimamente tenho gostado de denominar Psicoterapia Dinâmica Existencial.
ARTIGO
A técnica na Psicoterapia Existencial
Marco Portela
“A metodologia padece sempre de um atraso cultural. Nosso problema consiste em ampliar nossa visão para que abarque uma maior experiência humana, em desenvolver e liberar nossos métodos a fim de que, na medida do possível, justifiquem a riqueza e vastidão da experiência humana.”
Rollo May
Introdução
Um dos pontos mais frágeis e mais criticados da ou das Psicoterapias Existenciais é a questão da técnica. Arrisco dizer que esta questão se configura em um dos pontos cegos da práxis clínica em psicologia. A práxis se compõe de um tripé que consiste em uma teoria, uma técnica e a prática propriamente dita. Este tripé esta fundamentado em um solo epistemológico e antropológico que determina uma visão de mundo e de homem. Vários são os fundamentos epistemológicos na psicologia, dentre eles os principais são o positivismo, a fenomenologia, a dialética (Minayo, 1994) e a psicanálise. Mas estes não esgotam a lista, deve-se acrescentar aqui as ciências da linguagem e da informação dentre outras e considerar também as fronteiras que a psicologia faz com muitos outros saberes e disciplinas em todas as áreas da ciência, como a biologia, sociologia, antropologia, serviço social, na área da saúde a medicina, terapia ocupacional, na educação com a pedagogia, enfim esta lista é longa.
Temos a convicção que não há saber que dê conta da complexidade do sujeito pós-moderno (Guiddens, 2002; Hall, 2002; 1996; Lipovetsky, 1983) e para evoluir as ciências estão tendo que abrir suas fronteiras, incorporar em seu saber conceitos vindos de outros campos, outras disciplinas (Lyotard, 1986). O campo da psicologia clínica, bem como o da psicoterapia também esta passando por requestionamentos e tendo que ampliar sua visão do ser humano.
Hoje estamos, não só assistindo de camarote, mas participando ativamente da construção de um novo paradigma. O paradigma clássico está falido, já demonstrou sua ineficácia na construção justa, igualitária de uma sociedade que respeite os princípios humanistas. E o paradigma emergente ainda está em construção, mas suas raízes já foram plantadas (Santos, 1987; Boff, 1996), e conceitos como ecologia, dialogia, bioética, intersubjetividade, síntese fazem parte da construção de outro olhar para o homem e para o mundo, no sentido de considerá-lo em todas as suas dimensões, sem segmentá-lo mas vê-lo de forma integral, holística, em unidade consigo, com o outro e com a natureza.
Este movimento também se observa no campo da psicologia clínica e da psicoterapia, ou seja, a crise de paradigmas afetou também a psicologia clínica (Portela, 2008). Na medida que não há técnica que dê conta de lidar com todas as facetas do sujeito pós-moderno, a psicologia clínica se debruça sobre a questão buscando técnicas cada vez mais eficazes. Este tecnicismo é criticado com muita propriedade pelos adeptos da abordagem existencial, porém, alguns exageram e radicalizam. Aprendemos a tempos que nestes casos não pode haver radicalismo nem de um lado, nem do outro.
Yalom também fala da crise em nosso setor, e aponta um outro fator crucial que leva a psicoterapia e os psicoterapeutas a um tecnicismo exacerbado a fim de torná-la mais eficaz e atender o mercado da saúde,
“oferecer orientação e inspiração para a próxima geração de psicoterapeutas é extremamente problemático, hoje, porque o nosso campo se encontra numa grande crise. Um sistema de assistência médica impulsionado pela economia exige uma modificação radical no tratamento psicológico, e a psicoterapia agora é obrigada a ser ágil – isto é, acima de tudo, econômica e, forçosamente, breve, superficial e inconsistente” (Yalom, 2006, pag. 14).
De forma que a técnica em psicologia sempre foi um dos pontos mais frágeis, em todas as abordagens, a ponto de correntes mais recentes como a Psicologia transpessoal e holística lançar mão de técnicas ligadas á área mística, como a meditação por exemplo. Se nós psicólogos descobríssemos uma técnica que fosse aplicada com a maior eficácia a todos os sintomas psicológicos humanos, quem a descobrisse sem dúvida seria um candidato ao prêmio Nobel.
Em muitos casos se pretendeu dar a técnica o estatus de “pulo do gato”, ou seja, sempre que uma técnica era criada, surgia como o apanágio para todos os desvios de comportamentos e sintomas psíquicos. Por outro lado, uma técnica nova, para se firmar tinha que invalidar as demais em uso, o caso mais clássico foi da hipnose que Freud invalidou e a partir daí todos os pós-freudianos ao longo das décadas seguintes fizeram o mesmo sem conhecimento de causa. Foi preciso surgir, nos anos 50, um psiquiatra de coragem para resgatar a hipnose do limbo ao qual foi lançada e descobrir que parte do que Freud disse sobre a ela estava errado (Erickson, 1994; Zeig, 1985; Haley, 1966). Me refiro a Milton Erickson que estudou e sistematizou a técnica hoje reconhecida e aceita pelos conselhos de psicologia e medicina de todo o mundo.
Apesar de a técnica se constituir numa questão importante para a psicologia clínica como um todo, neste artigo não vou tratar da técnica na psicoterapia de forma geral, mas sim das psicoterapias denominadas existenciais. Todas as demais abordagens em psicoterapia, de uma forma ou de outra desenvolveram suas técnicas, de acordo com o olhar que construíram sobre o humano, até mesmo a humanista rogeriana com o método não-diretivo. A psicoterapia existencial, dado seus modelos teóricos e suas origens, desenvolveram uma visão da psicoterapia que colocou a técnica em um segundo plano (May, 1967; 1961). Em função de seus postulados, a teoria existencial sempre priorizou a relação terapêutica em detrimento da técnica. Isto é histórico!
“A técnica segue a compreensão. A tarefa substancial e a responsabilidade do terapeuta consistem em compreender o paciente como um ser-no-mundo. Todos os problemas técnicos estão subordinados a essa compreensão; sem ela, os recursos técnicos são impertinentes no melhor dos casos, e no pior um procedimento para sistematizar a neurose” (May, 1967, pág. 105).
Essa visão da técnica era compartilhada por outros grandes representantes da corrente existencial (Boss, 1958; Binswanger, 1967). Por outro lado, May afirma que “muitos psiquiatras existencialistas não se interessam grande coisa por matérias técnicas” (May, 1967, pág. 105), e cita Kuhn que, quando perguntado sobre a técnica que usava responde que a análise existencial é uma disciplina relativamente nova que ainda não teve tempo de desenvolver suas técnicas terapêuticas (ibdem, 1967). Frankl também critica a técnica ao falar sobre a psicanálise, “quanto cinismo se esconde detrás de semelhante interpretação da psicoterapia como técnica, como psicotécnica” (Frankl, 1955, pág. 10).
Para boa parte dos autores existenciais, uma importância exagerada na técnica se constituiria em um obstáculo para uma relação autêntica e para uma compreensão existencial-fenomenológica do ser, pois leva a uma coisificação do sujeito, a uma rotulação, a considerar o homem um objeto que se deve calcular manejar e analisar. Ou como diria Castillo, leva a ver o sujeito como um problema ou uma doença a ser tratada (Castillo, 1966). Para May (1967) no ocidente existe a tendência a crer que a compreensão segue a técnica. Mas como dito anteriormente na análise existencial é o contrário.
Esta visão da técnica persiste até os dias de hoje. A grande maioria dos textos e livros recentes acerca da psicoterapia existencial não entra no tema da técnica, se limitando à fundamentação filosófica, epistemológica e teórica da abordagem. Quando citam a técnica o fazem de forma pejorativa ou para criticar as demais abordagens que a utilizam e, diga-se de passagem, de forma genuína e autêntica. Muitos se baseiam nas críticas dos pioneiros já citados, outros na crítica Heideggeriana ao tecnicismo da era moderna.
Ora, a técnica se constitui num dos pontos mais criticados das psicoterapias de cunho existencial[1], e assume um caráter extremamente obscuro na medida em que os próprios teóricos da abordagem se negam a falar ou quando falam é mais para criticar sem trazer nenhuma luz sobre o tema. Fazem uma articulação muito consistente, falam dos objetivos do terapeuta ou analista existencial, mas não apontam como este deve proceder para levar seu cliente a atingi-los. Usam uma linguagem muito distante do que se vive dentro do setting terapêutico, se perdendo nos meandros teóricos e filosóficos, caindo numa linguagem vaga, baseada numa terminologia filosófica e que não remete ao fazer mais concreto do psicólogo.
Esta postura leva a críticas pesadas à psicoterapia existencial. Duas que já estão disseminadas e volta e meia ouvimos por aí: “quando o terapeuta não tem uma linha de trabalho diz que é existencialista”; “o terapeuta existencial atua intuitivamente”. Agora vejamos uma crítica mais embasada,
“A primeira (crítica) se refere, já temos visto, à cegueira que a doutrina impõe frente à natureza do ser humano, à oclusão definitiva do caminho biológico para aproximar-se dele. A segunda surge do irracionalismo imposto pelo método e do bloqueio a toda tentativa de sistematização e generalização que determina. Sem ordenação racional e sem possibilidades de generalizar conhecimentos não se pode construir nenhuma ciência” (Seguin, 1960, pág. 111)
Bucher faz uma crítica mais pesada,
“… é esta a concepção que a fenomenologia e a Dasein-análise desenvolveram sobre o amor e a co-existência – concepção idealista ou mesmo um pouco mística, colocando a noção do ‘amor puro’, de disponibilidade total para com o outro, acima de qualquer influência impura de intenções, vontades ou desejos, sejam eles conscientes ou inconscientes” (Bucher, 1989, pág. 35).
Mais na frente o mesmo Bucher denomina a visão fenomenológica de idealista ou espiritualista (ibdem, 1989, pág. 35). Trata-se o primeiro (Seguin) de uma crítica de dentro da própria abordagem, enquanto o segundo fala com um olhar externo. Estas críticas encontram ecos em muitos outros autores.
Porém, se ouvirmos alguns expoentes da abordagem existencial em seus primórdios, veremos que eles, apesar das críticas que fizeram, não desconsideraram a importância da técnica. Vejamos o que fala May, “a técnica existencialista deve ter flexibilidade e elasticidade para poder variar de um paciente a outro e de uma fase a outra no tratamento de um mesmo paciente” (May, 1967, pág. 107); afirma ainda, “não devemos cair no critério sentimental, demasiado simplificado, segundo o qual na psicoterapia a mera benevolência resulta suficiente” (May, 1965, pág. 179). Binswanger também em um de seus escritos diz que “a análise existencial não pode prescindir durante períodos prolongados, dos métodos terapêuticos tradicionais” (Binswanger, 1965, pág. 42).
Podemos pensar que, se somente a relação fosse suficiente para levar à cura ou elaboração dos traumas e conflitos, então não precisaria de psicoterapia ou psicoterapeutas, um amigo ou parente seria suficiente. Na verdade, em muitos casos são suficientes, mas em muitos outros casos em que a problemática se tornou crônica, em que já se desenvolveram sintomas importantes, um amigo ou parente já não se mostra suficiente para levar a um alívio definitivo do sofrimento. Como diz Bucher,
“O psicoterapeuta, enquanto ser humano coexiste com seu paciente ou cliente ao mesmo nível do Dasein, mas não se limita a este intercâmbio ‘puro’, comunicativo-existencial. Algo de diferente, algo de novo se acrescenta à sua ação sobre outrem, para lhe conferir uma eficácia especificamente terapêutica. Este novo elemento, ou melhor, esta nova dimensão não pode provir da esfera da coexistência, do mero ser-junto-dos-outros; ela deve proceder de uma esfera diferente, a saber, aquela da disponibilidade terapêutica para outrem, da colocação-ao-serviço do outro, com todos os conhecimentos médicos e/ou psicoló gicos que o terapeuta assimilou no decorrer da sua formação e da sua experiência” (Bucher, 1989, pag. 36)
Portanto, em muitos casos é preciso algo a mais que uma relação de confiança e autêntica. E aqui entra a psicoterapia ou o psicoterapeuta que, com a construção de uma relação sólida, de confiança, aliada a técnicas eficazes pode levar o sujeito à elaboração e superação de seus traumas.
Por outro lado é um engodo o psicoterapeuta ou analista pensar que vai construir com seu cliente uma relação completamente autentica, espontânea e de confiança. Pra começar, a priori, a relação será sempre mediada pelos papéis, há um terapeuta oferecendo um serviço e um cliente buscando usufruir deste serviço. Este enquadramento determina não só papéis, mas lugares e atitudes que devem ser observados desde o princípio do processo. Isto por si só já seria um fator dificultador para uma relação completamente espontânea. Espera-se do cliente que este fale de si e seus problemas, ao passo que espera-se do terapeuta ações que levem o cliente a uma melhora de seu sofrimento, sua dor ou seu sintoma. Isto esta implícito e não precisa ser dito.
Quanto às técnicas psicoterápicas propriamente ditas, Moffatt (1982) divide todas as abordagens em três básicas que ele denominou de terapias repressivas; adaptativas e elaborativas. Nas primeiras “(Eletrochoques, hospícios)… se consegue que o paciente abandone o sintoma”, nas segundas “o psicoterapeuta normatiza a partir do sistema vigente e as terapias elaborativas, pelas quais se ajuda o paciente a escolher-se e chegar a ser ele mesmo” (Moffatt, 1982, pag. 19). Wolberg distingui também “três tipos de psicoterapia (reconstrutivas, reeducativas e de apoio) e uma série de ‘relações de ajuda’ (healing aids) que chama ‘extraterapeuticas’ ou ainda não específicas” (apud Bucher, 1989). Já Fiorini (2004) tenta construir uma teoria da técnica na qual
“opera-se um salto teórico importante no nível das técnicas quando se passa, das comunicações categorizadas de acordo com a teoria de cada escola, à tentativa de descrever as intervenções concretas do terapeuta por meio de uma linguagem não comprometida com aquelas superestruturas teóricas” (Fiorini, 2004, pag. 2)
Cita três enfoques teóricos que ele julga complementares no estudo da técnica, o psicodinâmico, o comunicacional e o de aprendizagem e cita ainda as técnicas de apoio, de esclarecimento e de interpretação transferencial (Fiorini, 2004).
Neste ponto cabe uma leitura da relação entre técnica e teoria. Em seus primórdios ambas estavam coladas, porém, podemos dizer que nas últimas décadas houve um descolamento das técnicas e das teorias. O mandamento básico da psicanálise de “pensar alto”, ou seja, a livre associação com seu corolário, a interpretação, já não é mais um apanágio da psicanálise mas o mandamento básico de todas as psicoterapias que tem por base a fala e a escuta. Outras técnicas ligadas ás terapias grupalistas, por exemplo, que em sua origem tinham uma fundamentação fenomenológica, como o psicodrama, foram apropriadas pela psicanálise e outras correntes. A própria hipnose hoje é uma técnica adotada por psicólogos da teoria sistêmica, psicanalítica, humanista e outras, com as devidas adaptações logicamente. Algumas abordagens não conseguiram fazer este descolamento, como exemplo tem a comportamental cujo comprometimento com as ciências positivas lhe confere um caráter mais rígido no que tange às questões técnicas (Bucher, 1989).
Neste trabalho vou abordar especificamente as técnicas nas psicoterapias existenciais. A teoria existencial tem uma grande vantagem sobre a comportamental, a psicanálise e outras teorias em psicologia por ser uma abordagem inclusiva, ou seja, sempre aberta para incorporar novos conceitos na medida que o saber avança. Por outro lado, é preciso deixar claro que nas terapias existenciais a relação é considerada o fator mais importante. É a relação que cura (Yalom, 2006; May, 1965). Uma relação de confiança, de segurança, autêntica – dentro de certo limite imposto pelo próprio contexto – é a base da “cura”, é o que sustenta todo o processo terapêutico. Portanto, vamos falar de técnica deixando claro que a relação estará sempre na frente da técnica. Como diz Yalom “a terapia não deve ser impulsionada pela teoria, mas sim pelo relacionamento” (Yalom, 2006, pag. 17).
Ao falar de relação é preciso explicar melhor o tipo de relação, pois, de qualquer forma, o setting terapêutico se configura em última análise em algum tipo de relação. Bucher (1989) elenca em seu trabalho vários tipos de relações possíveis entre terapeuta e cliente, a saber: a relação científica, a de conserto, a de manutenção, de consulta e perícia, de ajuda, a relação pedagógica, a sugestiva, a de apoio e a interpessoal subjetiva. Dentro de nossa abordagem algumas estão definitivamente descartadas como a científica ou de perícia, outras podem ser adotadas de acordo com o contexto, necessidades e demandas do sujeito.
Porém, quando nos referimos à relação, estamos nos referindo a uma relação que Moreno denomina telemática (Weill 1967), Buber (1960) de relação eu/tu, ou seja, autêntica, de pessoa a pessoa, no caso do Bucher a que se aproxima mais seria a interpessoal subjetiva. Seguin (1963) denomina esta relação de “eros terapêutico”. Podemos dizer que, uma vez construída uma relação telemática, sólida, de confiança, ou seja, um eros terapêutico, a técnica que iremos usar poderá diferir segundo muitas variáveis como o conteúdo ou problemática do cliente, o momento que se encontra na terapia, sua estrutura de personalidade, etc.
Considerando ser a existencial uma teoria aberta, considerando também este descolamento da teoria e da técnica como bem diz Fiorini (2004), podemos dizer de início que a existencial vai usar as técnicas existentes. Não se trata de uma terapia repressiva, adaptativa ou elaborativa somente (Moffatt, 1982), nem de apoio, de esclarecimento e de interpretação transferencial (Fiorini, 2004). Estas estratégias estão todas à disposição do terapeuta e este deverá utilizá-las de acordo com o cliente e suas questões, bem como de acordo com suas circunstâncias atuais de vida e o momento em que se encontra no processo terapêutico.
Apesar de trabalhar assumidamente dentro de um referencial existencial Yalom também aconselha: “advirto os estudantes contra sectarismos e sugiro um pluralismo terapêutico no qual as intervenções efetivas são extraídas de várias abordagens terapêuticas diferentes” (Yalom, 2006, pag 15). Yalom é um dos poucos existencialistas que falam abertamente da técnica, talvez pela influência do pragmatismo americano. Em seus textos expõe sua forma de trabalhar e apresenta ou explicita estratégias e técnicas importantes, muitas das quais utilizadas por psicoterapeutas de forma intuitiva ou subliminar, ou seja, inconscientemente e sem sistematização. No entanto, Yalom exatamente por “dar sua cara a tapa”, é um dos terapeutas existenciais mais criticados por uma corrente mais ortodoxa de existencialistas.
Portanto o terapeuta existencial deverá ter um arsenal de técnicas à disposição para utilizar de acordo com as necessidades e demandas de cada cliente. Isto é que é respeitar a singularidade de cada um. Utilizar a mesma técnica com todos, da mesma maneira, independente do momento, questão ou estrutura do sujeito é anular a sua singularidade, destituí-lo do papel de sujeito. Temos que ter conhecimento das técnicas e a flexibilidade para mudar de acordo com cada um em cada momento de seu processo.
As técnicas
O que vou apresentar agora é uma primeira tentativa de sistematização de algumas técnicas dentro da abordagem existencial. Não tenho a pretensão de esgotar neste momento o tema, mas sim incitar a discussão, deixada de lado por tanto tempo. É hora de encará-la de frente. Os primeiros psiquiatras existencialistas, por terem uma base eminentemente psicanalítica adotavam basicamente a técnica da associação livre e da interpretação. Boss (1958) assume esta posição e se utiliza inclusive do divã, assim com May (1967). Porém, em sua maioria, como dito anteriormente, os existencialistas falam da teoria, da fundamentação filosófica e epistemológica, dos objetivos do terapeuta, enfim, mas não explicitam seus métodos e técnicas. Vou então tentar sistematizar estes métodos e técnicas e pensar como se encaixariam dentro da linha existencial. Deixo claro que vou beber de várias fontes ou abordagens.
Antes de tudo divido as técnicas em dois grandes grupos: o primeiro denomino técnicas relacionais e o segundo técnicas direcionais. As relacionais recebem este nome devido e serem implícitas á relação, trata-se de manejos que fazem parte do diálogo e são imperceptíveis ao cliente. Este não percebe em função do próprio dinamismo da relação, são atitudes do terapeuta que regula seu comportamento de acordo com o conteúdo trago pelo cliente, com o nível de angústia que circula no setting, com o momento do processo terapêutico, dentre outros.
Quanto às técnicas direcionais, antes de qualquer coisa é preciso esclarecer este termo. Utilizo a palavra direcional para diferenciar do termo diretivo, pois, não se trata de dar uma direção ou sugestão ou dirigir o processo do cliente. O termo diretivo é antagônico ao termo não-diretivo, método criado por Rogers (1966) em sua Terapia Centrada na Pessoa. Dentro do nosso contexto, ser diretivo ou não-diretivo é mais uma escolha do terapeuta que será regulada pelas circunstâncias do processo terapêutico. Portanto as técnicas direcionais não são diretivas, pois não sugerem conteúdos ou caminhos para o cliente, mas sim, produzem insights que levam o próprio sujeito a construir suas respostas. Recebe o nome de direcionais porque são dinâmicas e dependem em última instância do terapeuta para guiar o sujeito pelos caminhos de seu próprio pensamento ou psiquismo.
Técnicas Relacionais
Como dito, este termo se refere a técnicas ou manejos fundamentais para que o terapeuta possa levar a termo com sucesso a terapia. Estas estão embutidas na relação e são em grande medida imperceptíveis ao cliente. Muitas inclusive são utilizadas por psicoterapeutas de forma intuitiva ou inconsciente. Sem mais delongas vamos a elas, lembrando que não tenho a intenção de esgotá-las. Trata-se apenas de uma contribuição inicial que espero possa instigar outros terapeutas a pesquisar e enriquecer a discussão. Técnicas diretivas, de apoio, esclarecimento, sugestivas, adaptativas enfim, se enquadram no rol das relacionais.
Por outro lado, a técnica básica psicanalítica da livre associação e interpretação hoje é o mandamento básico de praticamente todas as psicoterapias que tem por base a fala e a escuta. O que vai diferir um pouco é a interpretação que será sempre dentro do referencial teórico de cada terapeuta. A livre associação pode se enquadrar tanto nas técnicas relacionais como nas direcionais, dadas as características do contexto de uma sessão de terapia em que os papéis por si só já impõe determinadas atitudes esperadas por ambos os atores.
Fiorini (2004) cita algumas atitudes do terapeuta e algumas formas de intervenção que se enquadram dentro das técnicas relacionais, vejamos primeiro as atitudes: contato empático manifesto, acolhimento, espontaneidade, iniciativa, clareza do método expositivo, exposição aberta de seu método de pensamento, inclusão do terapeuta como pessoa real[2]; quanto às formas de intervenção cita: interrogar, proporcionar informações, confirmar ou retificar, elucidar, recapitular, assinalar, interpretar, sugerir, dar um enquadre, meta-intervenção, “outras intervenções (cumprimentar, anunciar interrupções, variações ocasionais de horários etc)” (Fiorini, 2004, pag 160)[3].
Outras técnicas que se enquadram dentro da categoria das relacionais já são bem conhecidas e consagradas como o já citado método não-diretivo de Rogers (1966). Dentre as técnicas relacionais, além das já citadas, vou acrescentar três. Não há espaço neste artigo para uma explicação muito exaustiva de cada uma, mas vou citá-las e dar uma breve explicação.
- Função continente (Zimerman, 2000): é sabido que pouca angústia torna a terapia improdutiva, mas por outro lado, um nível elevado de angústia estanca a palavra e também torna o processo improdutivo. A função continente é uma das mais importantes dentro do processo terapêutico, é fundamental para o terapeuta, pois através dela é que este irá regular o nível de angústia que circula em uma sessão de psicoterapia. Quanto mais angústia, mais continente devemos ser, quanto menos, mais podemos deixar nosso cliente fazer suas associações livremente. Destaco novamente Fiorini (2004) que fala de uma associação livre e uma associação guiada.
- Transferência e transparência (Yalom 2006): o terapeuta deve regular com muito cuidado até que ponto ele se oculta e se mostra ou expõe. Ocultar informações sobre nós, assumir uma atitude de tela em branco ou “suposto saber” vai possibilitar a transferência, fenômeno muito importante para o processo terapêutico. Porém, a transferência é uma relação velha, repetitiva e estereotipada. Ser um pouco transparente vai possibilitar a construção de uma relação telemática, nova, em que o cliente pode ser mais espontâneo, em suma, ser ele mesmo. É um engodo pensar que se mostramos ou expomos algo de nós, isto irá impedir a transferência, a prática clínica já mostrou o contrário. Temos que regular e manejar com cada cliente até que ponto me mostro ou me oculto. Me ocultar possibilita a transferência ou relação transferencial, me mostrar com espontaneidade possibilita a construção de uma relação telemática. A clínica é soberana.
- Ativação do aqui-agora (Yalom, 2006): em todo o processo terapêutico há momentos retrospectivos, em que se fala do passado, de sua história vital (Binswanger, 1967). Por outro lado, a terapia existencial também da importância ao futuro, aos planos e projetos, é para o futuro que olhamos o tempo todo, portanto tem um caráter também prospectivo. Mas a prioridade é do aqui-agora, nas palavras de Yalom
“o aqui-agora é a principal fonte de poder terapêutico… o melhor amigo do terapeuta… refere-se aos eventos imediatos da hora terapêutica, ao que acontece aqui (neste consultório, neste relacionamento, na intermedialidade – o espaço entre mim e você) e agora, nesta hora imediata. É basicamente uma abordagem não-histórica e tira a ênfase (mas não nega a importância) do passado ou de eventos históricos da vida exterior do paciente” (Yalom, 2006, pag 54)[4]
As técnicas relacionais são de suma importância para a construção de uma relação de confiança, autêntica, para o advento do eros terapêutico, exigi presença do terapeuta e uma percepção apurada acerca de seu cliente. Sua estrutura de personalidade, suas queixas, o momento no processo terapêutico, o nível de angustia que circula entre ambos e muitas outras variáveis devem ser consideradas a fim de avaliar a melhor estratégia ou manejo técnico. O momento de ser mais ou menos continente, de dar uma orientação, um esclarecimento, ou fazer uma pontuação e interpretação. Até que ponto me mostro ou me oculto. São manejos fundamentais para o sucesso da terapia.
Técnicas direcionais
Quanto às técnicas direcionais, estas recebem este nome por serem técnicas dinâmicas e que dependem de uma direção do terapeuta. Em sua maioria se utilizam, além da fala, também o corpo ou corporalidade. Exigem um manejo mais cuidadoso do terapeuta. Não são diretivas no sentido de se dar respostas prontas ou sugestões ao cliente. O conteúdo vem do cliente e o manejo destas técnicas vai possibilitar insights e abertura de novos caminhos no processo terapêutico.
São técnicas já consagradas pela prática clínica, seja individual ou grupal. E devidamente adaptadas ao setting e ao contexto. Técnicas da Gestalterapia, do Psicodrama, da Sistêmica, até mesmo da cognitiva ou comportamental podem ser usadas com as devidas adaptações. Até mesmo técnicas de auto-ajuda que se incluem dentro da chamada Psicologia Positiva. Vou citar algumas, as mais usadas ou conhecidas, sem a pretensão de esgotá-las. Lembrando que aqui cabem as mais diversas técnicas advindas das mais variadas abordagens.
- Cadeira vazia: técnica muito usada na Gestalterapia;
- Técnicas psicodramáticas: hoje já se utiliza também na terapia individual, denominado psicodrama bi-pessoal;
- Técnicas de relaxamento e hipnose: que levam a uma dissociação interna em que a dimensão consciente fica em suspensão e o subconsciente fica mais livre para “trabalhar”. Hoje há inclusive uma corrente de psicanalistas que a utilizam na análise, trata-se da Hipnoanálise (Malomar).
- Técnicas como desenhos e escrita;
- Para casa: em muitas ocasiões pode ser útil a indicação de atividades para serem realizadas no período entre as sessões.
Essas técnicas são muito eficazes em vários momentos do processo terapêutico, principalmente aqueles em que as resistências estão mais evidentes ou exacerbadas. Trabalham as resistências ou no nível corporal e vivencial ou no nível subconsciente, facilitando a emergência do material reprimido, levando a uma conscientização mais rápida e eficaz pelo cliente de seus padrões e comportamentos rígidos e calcificados e de suas defesas sintomáticas. Se bem conduzidas pelo terapeuta, podem acelerar muito o processo psicoterapêutico. Afetos reprimidos que, com as técnicas ortodoxas, tradicionais levariam meses ou anos para vir à tona, com uma técnica psicodramática, gestaltista ou a hipnose podem emergir em uma ou poucas sessões.
Não se trata em se transformar em um hipnoterapeuta ou psicodramatista, mas sim, de ter conhecimento dessas técnicas para poder aplicá-las em momentos estratégicos do processo terapêutico. Ter a percepção e sensibilidade para saber o momento de usar as técnicas e a flexibilidade para passar de uma abordagem mais clássica ou tradicional baseada na linguagem, para uma mais dinâmica e vice-versa.
Por outro lado, as técnicas relacionais são intrínsecas á relação, estas deverão estar sempre presentes numa medida ou outra e ocupam o maior tempo do processo terapêutico. Importante saber também a hora de usar as técnicas relacionais e os momentos mais indicados para usar as técnicas direcionais. Ambas se complementam.
Conclusão
Deixei de lado algumas técnicas muito importante e também polêmicas, uma dela é a de se focar o sintoma ou sua causa, ou seja, usar uma técnica adaptativa ou elaborativa/interpretativa? Não há dúvida que no que tange à psicologia clínica temos que focar a causa, sem no entanto perder da vista o sintoma, pois é a expressão de algum conflito. A existencial procura focar as causas mas sem deixar de trabalhar ou negligenciar o sintoma. Cabe novamente ao terapêuta saber a hora de desviar da causa e se voltar para o sintoma, e por outro lado retornar ao trabalho de base, mais fundamental que é essa compreensão do Existente ou da Existência.
Outra questão não menos importante e ligada à questão do foco é a do dignóstico, Castillo aborda este tema:
“em primeira instância, temos examinado nossos enfermos com os métodos clássicos da medicina, da psicopatologia e da psicanálise. Temos formulado o diagnóstico e o prognóstico e indicado a terapia de acordo com os cânones aprendidos na universidade e na prática profissional. Em outros termos, temos começado tratando nossos enfermos como se fossem um problema, de maneira abstrata; temos olhado a enfermidade e não o enfermo… em segunda instância temos meditado, refletido e intuído, em uma palavra, temos recolhido, como diz Marcel, chegando ao cabo de muito tempo, às vezes bruscamente, por espécie de pura iluminação a decifrar as modalidades existenciais que iremos expor na continuação… tratando em segunda instância aos enfermos como um mistério, o ‘Dasein’ que é o psicoterapeuta pode aclarar o ‘Dasein’ que é o enfermo” (Castillo, 1966, pag 15).
Neste trecho Castillo expõe seu método de trabalho, o que inclui o diagnóstico. É um engodo pensar que um diagnóstico possa carimbar pra sempre o sujeito impossibilitando a cura, a mudança, o crescimento ou mesmo um posicionamento do cliente em relação ao mesmo. O diagnóstico é um momento importante do processo e cabe sim ao psicólogo fazê-lo. Este servirá como um guia para sabermos como conduzir a terapia. O erro ou risco é o de ver o cliente não mais como uma pessoa, mas como uma classificação psiquiátrica. São três os antídotos para isto: conhecimento teórico-técnico, colocar a relação e a compreensão na frente da técnica, discussão de casos clínicos com colegas psicólogos e/ou a equipe de saúde e uma atitude sempre vigilante em relação aos sentimentos que surgem em si, diante do que o cliente lhe traz.
O fim da terapia é outra questão importante e vai depender do foco, dos seus objetivos e outras variáveis. Ao questionarmos a existencial e suas técnicas, podemos dizer que, dentro de um certo ponto de vista, colocar a relação na frente da técnica não deixa também de ser uma técnica ou uma forma de manejo.
Hoje, a formação do terapeuta deve ser, e é muito mais ampla e complexa. O instrumento principal do terapeuta é, em suma, ele mesmo. Quanto maior a experiência de vida ou seu repertório experiencial, quanto maior a bagagem teórica e técnica, e temos que acrsentar quanto mais “terapizado”, mais condições tem o terapêuta de lidar com as angústias de seus clientes, de se colocar no lugar do outro no entanto sem sair do seu, construindo uma relação autêntica, telemática, um eros terapeutico, onde não só o paciente mas ambos crescem como pessoa, e o terapêuta também como profissional.
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[1] Não entro aqui no mérito acerca de modalidade da psicoterapia, ou seja, existencial-humanista, existencial-fenomenológica ou outra linha, mas às psicoterapias existenciais de mas forma geral.
[2] Cabe aqui alertar que Fiorini prioriza a técnica, é antes de tudo um tecnicista. Bucher (1989) faz uma crítica a Fiorini: “trata-se essencialmente de um trabalho sobre psicoterapia breve, com algumas considerações mais amplas. Estas se desenvolvem segundo um enfoque que procura constituir ‘uma teoria das técnicas de psicoterapia em que esteja incluída uma consideração crítica de alguma de suas bases ideológicas’ – projeto bem concebido pelas suas intenções, mas cuja execução não faz justiça à pretensão anunciada” (Bucher, 1989, pag 58)
[3] Os parênteses são do próprio autor.
[4] Os destaques em itálico e os parênteses são do próprio autor.