Curso introdutório de Mindfulness – Plena Atenção

Às amigas e amigos do facebook, estou oferecendo o Curso de Introdução ao Mindfulness – meditação da Plena Atenção em parceria com a Faculdade Incisa Imam. Para controle do estress, ansiedade, depressão, aprender a focar e para o auto conhecimento e crescimento pessoal. Estão todxs convidadxs.
NAMASTÊ!

Mindfulness propõe um novo tipo de interação consigo mesmo, com seu corpo e com o ambiente. Portanto, trata-se de um treinamento que integra corpo mente e ambiente traduzido como consciência plena ou atenção plena. O incisa Imam está com data agendada para este curso em 16 e 17 de setembro. Entre em contato. WhatsApp: (31)99306-0117 Clique: https://goo.gl/Re6sKh

 

TAXA DA INSCRIÇÃO: R$50,00

CURSO: R$ 600,00 à vista ou 1 + 1 de 300,00 (no cheque sob consulta)

DATA: 16 e 17 de setembro (sábado e domingo de 08h às 17h30)

ATENÇÃO!
Sua matrícula deve ser realizada, pelo menos, 7 dias antes do início do curso. Leia atentamente as instruções contidas no PROCEDIMENTO DE MATRÍCULA.

Regras de Desconto:
Pagamento realizado com 15 dias de antecedência: 10% de desconto
Alunos e ex-alunos de cursos de graduação, pós-graduação e técnicos: 10% de desconto
Ex-alunos de cursos de extensão universitária: A partir do segundo curso, 5% de desconto para novo curso realizado. Máximo de 25%.
Os descontos não são cumulativos.

Saiba Mais

Prof. Marco Portela

Psicólogo clínico e hospitalar. Mestre em Psicologia pela UFMG. Especialista em Psicologia Hospitalar e Saúde Mental com vários artigos publicados. Coordenador do setor de Psicologia do Hospital João XXIII.  Professor de Yoga e |meditação.

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IV SEMINÁRIO DE PSICOLOGIA HOSPITALAR DO HOSPITAL JOÃO XXIII

Facebook_IVSeminarioPsicologia

Às amigas e amigos, é com orgulho e satisfação que convido à todos para o IV Seminário de Psicologia Hospitalar do Hospital João XXIII.

Seguem as informações gerais:

“As faces da violência na urgência e emergência: escuta e intervenção”

Programação:

8:00 – 8:30: Credenciamento
8:30 – 9:00: Abertura: Dr. Sílvio Grandinet – Diretor do HJXXIII, Marco Antônio Portela – Responsável Técnico pelo setor de Psicologia
9:00 – 9:30: “Alterações psíquicas comumente encontradas nos pacientes vítimas de violência” Sandra das D. Souza.
9:30 – 10:00: “Relações abusivas – uma reflexão sob a ótica da Psicologia Hospitalar” Maria Nair Barcelos.
10:00 – 10:30: coffee breack
10:30 – 11:00: “Residência multiprofissional, Diretrizes antecipadas de vontade e relação profissional de saúde/paciente” Bernardo Cury.
11:00 – 12:00: Mesa redonda – “Suicídio e alteridade: fortalecendo laços no combate à violência autoinfligida” Luciana Almeida Santos e Luciene Oliveira Rocha Lopes
12:00 – 13:30: Almoço
13:30 – 14:00: “Violência Intrafamiliar e sua relação com o abuso de álcool e drogas” Joana Beatriz Lara.
14:00 – 15:00: Mesa redonda – “A violência e seus desdobramentos no sujeito” Regimara S. Oliveira e Raquel M. Minini.
Convidada: Dr.ª Vivian Aparecida M. Ferreira. Médica Psiquiatra plantonista do CEPAI, e voluntária no Núcleo de Investigação em Anorexia e Bulimia – NIAB/HC-UFMG.
15:00 – 15:30: coffee breack
15:30 – 16:00: “Violência sexual: reflexões sobre um caso clínico” Mariana A. Melo
16:00 – 16:30: “O trabalho da Psicologia com o paciente Trauma Raqui Medula (TRM) internado na Unidade de Cuidados Progressivos (UCP) vítima de violência no trânsito” Luciana F. S. Purysco Oliveira.
16:30 – 18:00: Palestra de encerramento Dr.ª Elza Melo. Graduada em Medicina, Doutora em Medicina Social pela USP. Coordenadora fundadora do Ambulatório de práticas de promoção de saúde da mulher em situação de violência e vulnerabilidade e do Programa de Pós-graduação de Promoção da Violência – Mestrado Profissional/FM/UFMG.

INSCRIÇÕES GRATUITAS

Pelo e-mail: psicologiajoao23@gmail.com

VAGAS SUJEITAS À LOTAÇÃO DO AUDITÓRIO

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A técnica na Psicoterapia Existencial – artigo

Este artigo tem centenas de visualizações todo mês. É um tema atual e importante. Foi apresentado no I Congresso Internacional de Psicologia Existencial em 2013 e publicado no caderno de conferências. Compartilho novamente com todos. Boa leitura!

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capa artigo sobre técnica

Este  artigo foi produzido a partir de reflexões sobre as questões técnicas na Psicoterapia Existencial e a forma como temos encarado o tema. Foi apresentado no I Congresso Internacional de Psicologia Existencial e publicado no caderno de conferências. Na ocasião fiz no blog um comentário sobre o Congresso. Segue um pequeno trecho:

20150407_105105“Creio ter sido este o fator novo que surgiu no Congresso, seu maior legado, a tentativa de pensar a questão da técnica isento de pré-conceitos. Afinal já foi muito explorado, discutido e elaborado nas últimas décadas as questões acerca da fundamentação filosófica e epistemológica, bem como a questão da relação. Esta mais que claro a primazia da relação na Psicoterapia Existencial. Porém o tema da técnica foi deixado de lado, seja por preconceito, por medo ou por ideologia. Finalmente parece que chegou o momento de falar abertamente sobre o tema.” Publicado no blog em 01/10/2013

Procurei fazer uma…

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O TOQUE COMO RECURSO TERAPÊUTICO

 

 

Marco Portela

 

 

Este ensaio é sobre o toque, pele com pele. A pele é a superfície do corpo, mas o toque pode atingir as profundezas da alma, nossas emoções, fazer emergir afetos e recordações. Não há superfície mais profunda que a pele. O toque pode ser bruto, grosseiro, ferir e matar, mas pode também ser leve, carinhoso e resgatar uma vida, salvar. O toque nos fala diretamente à alma, é uma linguagem não verbal que comunica tanto ou mais que as palavras. O inconsciente fala através do corpo o tempo todo, ancorado, presentificado no aqui e agora. Toque da mãe em seu filho, toque de amantes, de amigos. Um aperto de mão, um tapinha nas costas, um beijo, um abraço. Toque de ajuda, de amor, de raiva, de tristeza, de tesão.

Neste ensaio vou refletir sobre o toque, mas não qualquer toque. O toque como recurso terapêutico. Aqui apela-se para o princípio já consagrado da unidade corpo/mente. O corpo é o mata-borrão da alma. Tudo que não foi elaborado, simbolizado no plano psíquico, que está em aberto, reprimido nos recônditos do inconsciente passa direto para o corpo que expressa através de sintomas. Atitudes corporais, trejeitos, tics, comportamentos, tensões, dores, doenças psicossomáticas, espelham estados emocionais, padrões de pensamentos e crenças.

O trabalho focado no corpo que se utiliza do toque, como a massoterapia, shiatsu e muitos outros tem um impacto importante no psiquismo e um efeito psicoterapêutico. Assim como o trabalho focado no psíquico, ou seja as psicoterapias, também tem um efeito no corpo e no biológico importante. Corpo e mente formam uma unidade intrínseca e indissolúvel. O toque como recurso terapêutico parte deste princípio, que através dele podemos fazer emergir afetos profundos. Em alguns momentos do processo psicoterápico pode ser útil e estratégico lançar mão deste recurso.

Vou me circunscrever mais ao ambiente hospitalar, à psicologia hospitalar, mas estas reflexões valem também para nossa clínica particular ou para qualquer setting em que estejamos exercendo a clínica. Nós psicólogos clínicos, psicoterapeutas temos um “certo” preconceito em relação ao toque. Nos mantemos à uma distância estratégica de nossos clientes e nos limitamos às palavras, à fala e à escuta. Afinal. podemos ou não tocar nossos pacientes ou clientes? O toque deve se limitar somente ao abraço ou aperto de mão inicial de uma sessão? Ou nem isto? O toque pode ser útil ao processo terapêutico? Quando e por que tocar nossos pacientes? Vou tentar responder a estas questões, sem a pretensão de esgotar o assunto mas de, ao contrário, fomentar uma discussão mais profunda acerca de tema tão relevante na minha opinião.

Há alguns anos atrás atendi uma jovem de 25 anos que internou devido à tentativa de auto extermínio por medicações. Foi sua segunda tentativa, sendo que já havia, em outras ocasiões, se automutilado,  cortado seus braços, punhos e pernas. Me mostrou as cicatrizes. Seus pais se separaram ela era nova, seu pai a abandonou, sua mãe lhe batia muito e só dava atenção para os outros filhos. Estava namorando um rapaz em quem ela depositou suas expectativas para uma vida melhor, mas ele havia terminado com ela dois dias antes. Este foi o estopim para esta tentativa. Estava muito angustiada, deprimida, expressão de dor, o corpo tenso, um choro contido, regredida, queixosa. Tinha uma auto estima muito baixa e continuava com as ideações suicidas. Nunca fez nenhum tratamento nem tomou medicações controladas.

Estava sentada no leito, falava olhando para baixo. Num determinado momento, toquei seu ombro dizendo que ela podia contar comigo, que iria ajudá-la. Ao tocar o ombro ela inclina ligeiramente o corpo para frente, neste momento a abraço e o choro se intensifica. Chora compulsivamente durante alguns minutos. Deixo ela chorar, estimulo o choro, pois trata-se de uma catarse, e alguém deve ser depositário desta emoção. Me coloco neste lugar.

A acolho e aceito seu choro e sua história. Costumo dizer que quando choramos, não choramos somente a dor ou a perda atual, mas todas as dores e perdas do passado. Após alguns minutos ela começa a diminuir o choro e passa deste ao soluço, faz um leve movimento de se afastar, respeito e me afasto um pouco. Continuo o atendimento às vezes tocando seu ombro em momentos mais tensos de sua fala. Aos poucos ela vai estabilizando-se emocionalmente. Trago um papel toalha para ela limpar as lágrimas. O atendimento continua de forma mais tranquila, ela me fita com um olhar mais leve, esboça um sorriso em alguns momentos. Por fim sua mãe chega, converso com ela, dou orientações e faço um encaminhamento para uma instituição mais apropriada para acompanhá-la. No caso, devido às ideações suicidas persistentes é prudente entrar em contato com um serviço de saúde mental e transferir de ambulância para o mesmo para que de lá ela ja saia com uma avaliação mais criteriosa e devidamente orientada e medicada.

Ora, neste breve relato ilustro o que chamo de toque como recurso terapêutico, meu toque no ombro possibilitou uma avalanche de afetos reprimidos expressos em seu choro compulsivo. Este gesto possibilitou não somente esta descarga afetiva mas contribuiu para a construção de um vínculo de confiança e segurança e facilitou o trabalho elaborativo e construtivo posterior, pois, ao se organizar novamente, conseguiu falar de forma mais elaborativa, simbolizar. E naquele momento eu era depositário de sua história.

Na clínica particular funciona de forma semelhante, pois seu cliente deságua em prantos na sua frente dizendo ter perdido o pai e o que você fará? Ficará em silêncio diante de tamanha angústia e comoção? Ou dirá sinto muito, meus pêsames? Em geral nesta hora é estratégico chegar um pouco pra frente em sua poltrona e tocar seu ombro como quem diz, estamos juntos, conte comigo, a linguagem corporal do toque tem um impacto profundo em momentos como este. A elaboração desta perda se dará depois, primeiro a catarse, o pranto. Enfim o toque como recurso terapêutico deve ser usado em ocasiões paroxísticas, de emoções mais intensas em que o sujeito perde seus contornos, dissocia do ambiente, entra em comoção.

Podemos dizer que nestes momentos estamos exercendo o que Bion, psiquiatra inglês na década de 60, denominou função continente. Este conceito alude à relação terapêuta/cliente e se refere à capacidade de o terapeuta lidar com as angústias e demandas nele depositadas pelo cliente. Ser continente consiste em estar inteiro com o cliente ou paciente, acolhendo sua dor, sua angústia, ajudando-o a dar um significado, um sentido para este momento, gerando um sentimento de segurança e confiança. Ora, hoje no nosso contexto, a função continente de Bion ganhou um novo nome, acolhimento.

“Acolher é dar acolhida, admitir, aceitar, dar ouvidos, dar crédito a, agasalhar, receber, atender, admitir (FERREIRA, 1975). O acolhimento como ato ou efeito de acolher expressa, em suas várias definições, uma ação de aproximação, um “estar-com” e um “estar perto de”, ou seja, uma atitude de inclusão. Essa atitude implica, por sua vez, estar em relação com algo ou alguém.” (Ministério da Saúde, 2006)

Em essência o objeto da função continente ou acolhimento é a angústia, de perda, de vazio, de dor, de morte, devidamente ancorada em um trauma ou doença física ou psíquica e expressa através de sintomas, demandas e necessidades endereçadas ao profissional e à instituição. No acolhimento o profissional vai ter que lidar, portanto, com certo nível de angústia, em geral mais elevado que o normal considerando o contexto, sempre ancorada num trauma, numa perda.

O acolhimento enquanto função é antes de tudo uma atitude ou postura permanente ante o outro, que deve ser exercida na mesma medida da demanda do cliente, ou mesmo da família e equipe. Portanto, não se trata só da construção de um vínculo ou relação, mas implica também uma técnica ou manejo técnico. Costumo dizer que o psicólogo que não tem muita capacidade de continência jamais deveria trabalhar na área da saúde, principalmente em um hospital de urgências e emergências.

Quanto maior a angústia, maior deve ser a capacidade de continência ou acolhimento do psicólogo. Por outro lado, num momento de perda, de extrema dor e angústia, o profissional a fim de exercer a função continente com eficácia deverá lançar mão de todos os recursos disponíveis. Aqui se encaixa o toque como poderoso recurso ou aliado, que na hora da comoção, do choro, do pranto, da falta de controle tem um efeito forte e positivo para o paciente.

Portanto podemos sim tocar nossos pacientes, sempre com muito critério, ética, bom senso, usando o toque não de forma aleatória ou intuitiva mas sim, como uma técnica ou recurso que em momentos de muita dor e ansiedade pode ter um impacto importante, ajudando o sujeito a elaborar e lidar melhor com sua angústia, seu trauma ou perda.

Um abraço a um amigo que perdeu seu pai, gesto tão natural e espontâneo nas relações familiares e sociais pode ser usado nas relações profissionais entre o psicólogo e seu cliente. Isto não só o ajudará em sua catarse, reorganização e posterior elaboração, como também irá ajudar na construção de um vínculo autêntico e espontâneo com o terapeuta, aumentando a confiança e segurança do cliente.

Daí que no setting terapêutico o profissional não deve assumir o papel do psicólogo como um clichê, de forma estereotipada e rígida pois desta forma irá puxar do outro o papel de cliente também rígido e estereotipado. Deve sim, na medida do possível, ser ele mesmo, autêntico e espontâneo, só assim vai possibilitar que aquele cliente na sua frente se expresse com segurança, autenticidade e espontaneidade.

O toque como recurso terapêutico faz parte do que denomino técnicas relacionais, pois, ao utilizarmos dele de forma espontânea, nos momentos certos de acordo com a demanda, o paciente não percebe que estamos lançando mão de um manejo técnico,  e se sente aceito e acolhido. Nós terapeutas devemos sempre ter à mão vários recursos ou técnicas. Na terapia, a relação sustenta o processo e as técnicas servem como instrumentos para amenizar as defesas e resistências, incrementar, facilitar e agilizar e o toque em muitos momentos se mostra muito eficaz. Que essa reflexão possa motivar e fomentar novos debates aprofundando tema tão importante.

Muita Paz

Junho/2017

 

 

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Acolhimento: estratégia ou função? – Artigo

Diante de uma saúde cada vez mais sucateada em nosso país o Acolhimento se torna um tema importante, urgente e está cada vez em alta. Aos amigos das redes sociais posto novamente este artigo publicado a alguns anos atrás. Boa leitura.

Avatar de Marco PortelaMarco Portela

O Acolhimento é hoje um tema importante na área da saúde, os milhares de artigos encontrados na internet são exemplos. Uma das estratégias centrais da política de humanização do Ministério da Saúde, é um tema que ainda precisa de muito esclarecimento, haja vista a inexistência do verbete nos principais dicionários especializados em psicologia e psiquiatria. Procurei pensar e definir o acolhimento psicológico, portanto o artigo é mais conceitual, sem deixar de lado a técnica e a prática.

Foi publicado em 2014 pela Editora FEAD no livro “Fenomenologia e Psicoterapia” em conjunto com colegas da pós-graduação e organizado pelo Prof,º Giovanetti, que dispensa comentários, um dos fundadores do curso de graduação  de psicologia da FEAD e coordenador da Pós-graduação em Psicoterapia Existencial e Getáltica que já está na 11.ª turma.

Em função das limitações deste blog e principalmente deste que lhes escreve, o artigo que, em sua versão original, atende às normas…

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Supervisão em Psicologia Clínica e Hospitalar – pelo SKYPE

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A Clínica da Urgência: desafios e perspectivas – III Seminário do Serviço de Psicologia do Hospital João XXIII

A Clínica da Urgência: desafios e perspectivas

No último dia 25/08, em comemoração pelo dia do Psicólogo, realizamos o nosso III Seminário. O tema surgiu ante um mundo cada vez mais perigoso, em que acidentes, desastres e calamidades de todas as ordens geram novas e urgentes demandas que somos convidados a acolher, e a necessidade de pensar esta clínica que “conceitualmente, se encontra no intervalo da Psicologia das Emergências e da Psicologia Hospitalar”.

IMG-20160825-WA0005“Hospitais como o João XXIII, ou seja, de urgência e emergência são receptáculos ou depositários da angústia pública, que vai se expressar na angustia da família, da equipe e do paciente. Angústia social, grupal. Angústia subjetiva e existencial”.

Tecemos reflexões acerca da clínica da urgência, sua fundamentação, seu campo e sua práticaIMG-20160826-WA0034 em áreas da saúde de grande importância, quentes e atuais como alcoolismo/drogadição, suicídio, cuidados paliativos ou progressivos, as intervenções em pacientes queimados, com crianças e suas famílias. Tivemos também  a honra de receber convidados importantes, tanto de fora como de dentro da instituição.

IMG-20160825-WA0023Agradecemos a todos os setores de apoio como SND, NEP, UAP e Portaria. Parabéns à toda a equipe de psicologia pelo sucesso do evento. Ano que vem tem mais!

Abaixo disponibilizo os slides usados na minha apresentação. Trata-se de uma pequena contribuição para construção deste campo ainda selvagem, a clínica da urgência.

Parabéns a todos nós Psicólogos!

Paz para todos!

Namastê

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A verdade deve sempre prevalecer – Diário de bordo: Um psicólogo na urgência e emergência

o-joao-xxiii-e-o-maior-hospital-de-trauma-de-minas-gerais-e-um-dos-maiores-do-pais

A verdade deve sempre prevalecer

-Baseado em fatos reais-

 

Marco Portela

A história que vou contar agora é baseada em fatos reais, omiti ou alterei nomes a fim de poupar as pessoa envolvidas e preenchi algumas lacunas com o intuito de tornar mais clara a narrativa. Não se trata de um caso clínico, mas o relato de um dia de trabalho. O meu compromisso aqui não é em contar a história em seus mínimos detalhes, mas retratar a vivência de um psicólogo num plantão de urgência e emergência e tirar algumas lições.

Em um dia há anos atrás estava na sala da psicologia no ambulatório quando fui procurado por uma técnica de enfermagem:

_ Marco, tem um rapaz lá na ortopedia, estou preocupada, ele está no celular falando umas coisas muito pesadas e estranhas, você poderia ajudar?

_ Que tipo de coisas?

_ Ah! Tá falando com os amigos… Respondeu e se retirou.

Achei estranho, mas como é de minha prática, atendo todos os pedidos de qualquer profissional que lide com os pacientes, pois eles também podem detectar sinais ou sintomas e são aliados no meu trabalho. Após a avaliação sempre dou um retorno para o profissional solicitante.

Alguns minutos depois me dirigi à ortopedia. O rapaz se chamava Carlos, estava em uma maca numa pequena sala junto com mais dois pacientes, homens dos seus 30 anos. Ao entrar ele já não estava no celular. Era um jovem branco, cabelos pretos curtos, olhar muito sério, uns 20 anos. Fraturou a perna devido a um tiro, já havia sido atendido mas estava em observação.

Estava muito nervoso, ansioso, inquieto. Pedia o celular para o amigo que o acompanhava. Estava com o tronco erguido e apoiado no cotovelo. Ao me aproximar me fita com desconfiança e recua o tronco. Achei estranho ele pedir o celular, pois segundo a técnica ele estava falando no celular, mais estranho o amigo dizer que não estava com ele, então onde estaria? Ora, o atendimento começa quando vejo o paciente e estas informações que me chamaram atenção mas que ainda não tem resposta, coloco em suspensão, e aguardo, sem julgamento, é uma “carta na manga”. Me aproximo.

_ Oi Carlos, como você está?

_ Estou bem! Ele e seu amigo me olham desconfiados e curiosos.

Apesar de estar com o jaleco do hospital não tinha nenhum crachá que identificava minha categoria profissional. Me apresento.

_ O que houve que te trouxe a este hospital?

_ Bala perdida! Continuava ansioso, tenso. Olhava para o amigo que confirmava com a cabeça.

Fiz algumas perguntas básicas, morava com a mãe em um grande aglomerado da capital. Estava muito resistente à minha aproximação e muito tenso. Respondendo apenas por monossílabos e sem dar continuidade ou fazer associações. Percebi, pela sua tensão, raiva e agressividade latente, que tinha algo mais ali, porém, em função de sua atitude não havia abertura para explorar esta questão, mais um dado posto em suspensão, mais uma “carta na manga”. O amigo tentava aquietá-lo.

Recebemos com frequencia pessoas vítimas de arma branca, arma de fogo e com histórias de violências, agressões, maus tratos. Bem como histórias ligadas ao tráfico, os “meninos do tráfico” que, como rezam as estatísticas, a maioria não passa dos 25 anos.

Mas, enfim, apesar de todas estas impressões, não tinha informações suficientes para construir nenhuma hipótese. Sua tensão, ansiedade resistência e agressividade latente, são dados clínicos importantes mas não são suficientes para nenhuma dedução, dado o contexto e situação.

Preferi não insistir, Quanto mais insistimos, mais resistência criamos. Lhe disse que estava à disposição para qualquer ajuda e me retirei da sala.

Enquanto procurava seu prontuário para me embasar com mais dados, entra na ortopedia quatro agentes da polícia civil. Na frente a delegada, jovem, uns 30 anos, morena, olhar severo, seguida de três agentes. Todos uniformizados, paramentados, com coletes, armados com metralhadoras e à serviço. O médico tenta barrá-los mas eles já estão dentro da sala onde estava um paciente policial civil, colega deles, que havia sofrido um acidente de carro.

A partir daí, passei a ser um observador nem tão passivo assim dos acontecimentos. O supervisor de enfermagem e a técnica que havia me procurado se aproximaram também. O supervisor tentava conversar com a delegada para entender o que se passava. Enquanto a técnica acompanhava com ansiedade e às vezes, me olhava.

Acontece que o paciente policial civil, era um dos homens que estava ao lado do Carlos. A delegada e os agentes entraram na sala, enquanto o médico foi chamar o coordenador do plantão. Se dirigiram primeiro ao colega, conversaram um pouco e depois se voltaram para o Carlos, queriam o celular.

De repente a técnica de enfermagem me chama em outra sala reservadamente, estava muito ansiosa. Me diz que estava com o celular do Carlos. Neste momento tiro uma das cartas da manga, ou seja, com quem estava o celular? Mas surge a pergunta:

_ Por que você pegou o celular?

_ O amigo dele pegou e me passou. Ele estava falando muita bobagem.

_ Que tipo de bobagem?

_ Sei lá!

Percebi seu medo e a delicadeza da situação e também preferi não insistir. Os acontecimentos iriam responder. O coordenador médico do plantão chega, pede pra eles se retirarem:

_ Isto aqui é um hospital!! Grita.

A delegada tira um mandato. E não sai do lugar. Ela quer o celular. O celular era a prova de algo que ainda era um mistério. Não podíamos entrar na sala onde estava Carlos e os policiais. Chamo a técnica e pergunto de novo por que ela o pegou?

_ Para ajudar o menino.

Falei que em momentos como este a verdade deve sempre prevalecer.

_ Os policiais querem o celular, você deve entregar à eles.

Nisto a confusão já estava armada, outros profissionais, acompanhantes e familiares cercavam a cena para olhar. O coordenador querendo que os policiais se retirassem e os mesmos interrogando Carlos, seu amigo e procurando pelo celular. Tentando ajudar, pedi os curiosos que se afastassem, em vão. Aproveitei que o supervisor se afastou um pouco da cena e me aproximei.

_ O que houve? Posso ajudar de algumas forma?

_ Guerra do tráfico, respondeu o supervisor de enfermagem.

_ Carlos ligou para seus comparsas, disse onde estavam escondidas as armas e pediu para eles terminarem o serviço. Só que do lado está internado um policial civil que ouviu toda a conversa e chamou os colegas. Agora querem o celular, que é a prova da conversa. Mas já revistaram o Carlos, o amigo, reviraram toda a enfermaria não acharam.

Agora tirei a outra carta da manga. Estava claro o por que da atitude desconfiada, persecutória e da resistência do Carlos, bem como aquela raiva e agressividade latentes que havia percebido. Estava claro o porque da presença dos policiais. Mas ainda havia algo que não estava se encaixando… A intervenção da técnica de enfermagem. O que a fez pegar o celular? Por que não o devolvia? Fui até ela novamente, estava muito ansiosa e tensa.

_ Agora entendi o que houve. Por que você não entrega o celular? Não fez nada de errado, estava apenas querendo ajudar. A verdade deve sempre prevalecer! Repeti. Ela gaguejou.

_ Estou com medo. Falou com a voz trêmula.

_ Estamos juntos, eu te ajudo. Mas conte a verdade e entregue o celular. Lhe respondi.

O impasse continuava, os policiais procuravam o celular e queriam fazer uma revista em toda a ortopedia. O coordenador médico muito tenso queria impedir. A delegada estava muito nervosa, dizia ser crime ocultar provas. Que poderia processar o hospital. A técnica continuava em silêncio. A tensão só aumentava.

_ Ocultação de provas é crime e vamos processar o hospital! Falava a delegada quase gritando e muito nervosa.

Diante de situação tão tensa e com muita reserva resolvi tomar uma atitude para ajudar na solução do caso. Relutei muito, mas a tensão era tamanha e parecia que os policiais não deixariam o hospital sem aquele celular. Decidi contar para o supervisor de enfermagem, chefe da técnica. Ele seria a melhor pessoa para manejar a situação.

A partir deste momento continuei observando a cena, porém, sem nenhuma outra intervenção. O supervisor procurou a técnica, conversou com ela e a mesma disse que já não estava mais com ela. Ela havia entregado o celular para um comparsa do Carlos que se encontrava fora do hospital.

O supervisor levou a informação para a delegada que, sempre acompanhada dos três policiais paramentados e armados, foi falar com a técnica. Ambas estavam muito nervosas.

_ Ocultação de provas é crime! Você será processada! Gritava a delegada nos corredores do hospital.

Foram lá fora, procuraram o suposto rapaz para quem a técnica entregou o celular mas em vão.

Então, os policiais saíram do ambulatório de emergência e se dirigiram à diretoria. Quanto ao Carlos, foi colocado num isolado para continuidade do tratamento, e no final do dia teve alta, não tive mais contato com ele. Aos poucos o ambulatório foi voltando ao normal.

A técnica de enfermagem a partir daí ficou mais arredia comigo, porém, dado o contexto era esperado. O supervisor dias depois me disse que a técnica estava com processo no COREN, mas que não ia dar em nada, pois ela é competente e havia uma outra informação que ainda não tinha e que explica por que ela não entregou o celular e fecha a compreensão deste episódio.

No meio daquela balbúrdia toda, e no momento mais tenso deste caso Carlos chama a técnica e sussurra:

_ Se entregar o celular eu te mato!

Como afirmo no início, este relato é baseado em fatos reais e mostra a vivência de um psicólogo num ambulatório de urgência e emergência.

O desfecho deste caso deixa muitas perguntas. Minha intervenção foi útil ou não? Qual o destino do Carlos? Teria mais alguma coisa que eu pudesse fazer para colaborar neste episódio? Mas uma coisa é certa, este caso reforçou ainda mais minha convicção de que, em qualquer circunstância, a verdade deve sempre prevalecer.

Uma das questões que o psicólogo se depara sempre é com o não saber a respeito do outro. Nossos pacientes e clientes passam por nós e se vão. Temos que aprender a deixar passar, a lidar com a angústia do não saber e torcer para que a semente que plantamos em seu íntimo germine.

Paz para todos!

Maio  2016

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Yoga e Espiritualidade no século XXI

Caros amigos e colegas, como é do conhecimento, além da formação técnica e científica em Psicologia com uma carreira clínica e acadêmica, tenho estudos e práticas na área da Espiritualidade. Compartilho com todos um pequeno texto produzido para uma palestra que proferi por ocasião da abertura do projeto de Yoga no Sesc.

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Palestra SESC

 

Yoga e Espiritualidade no século XXI

 

 

Marco Portela

  • O Yoga

A palavra Yoga pode ter vários significados de acordo com o contexto em que aparece. É usada pela primeira vez no Rigveda (±3000 a.c.), mais antiga referência literária dos indo-europeus. Deriva da raiz sanscrita Yuj, que significa unir, reunir, conjugar, subjugar.

No seu sentido específico Yoga se refere àquele enorme corpo de preceitos e técnicas espirituais que se desenvolveram por milênios e que é visto como verdadeiro substrato da vida cultural do homem indiano.

Yoga é assim o nome genérico para os vários caminhos indianos de “unificação” e tranformação da mente. Tecnologia de transformação da consciência (Feuerstein).

“Yoga chitta vritti nirodah” – Yoga é o controle das funções mentais (Patanjali, Yoga Sutra1:2, ± 360 a.c.)

Yoga é uma filosofia prática de vida, que visa a auto-integração (De Rose). Um estilo de vida.

O Yoga é holístico, ou seja, trabalha a pessoa como um todo, em todas as suas dimensões. Vários são os tipos de Yoga que foram surgindo ao longo dos milênios, priorisando diferentes aspectos ou dimensões do ser. Podemos hoje, sem medo, contar centenas de tipos de Yoga, cada um com pequenas variações, alguns mais modernos inclusive isentos do aspecto místico, ficando só com as técnicas físicas, o que pessoalmente vejo como um Yoga manco e pela metade. Neste caso é quase a mesma coisa de fazer uma ginástica comum. O que falta hoje à humanidade é exatamete o aspecto ético e místico que o Yoga oferece.

Segue abaixo alguns dos mais importantes ramos do Yoga, dos quais surgiram outras centenas:

  • Raja Yoga – Yoga real. De caráter mental;
  • Bhakti Yoga – devocional;
  • Karma Yoga – Yoga da ação inegoísta;
  • Jnana Yoga – Yoga do conhecimento;
  • Mantra Yoga – Yoga de vocalização de sons;
  • Kundalini Yoga – que visa despertar a energia de kundalini que se encontra adormecida na base da coluna, no Muladhara chakra.
  • Kriya Yoga – Yoga da purifição;
  • Laya Yoga – Laya = dissolução. Semelhante à Kundalini Yoga, porém, no Brasil se constitui basicamente em técnicas de relaxamento e respiração;
  • Hatha Yoga – basicamente exercícios físicos e respiratórios;
  • Swásthia Yoga – seu prórpio (De Rose);
  • Sarva Yoga – Yoga integral (Sarvananda, George Kritikós)
  • Tantra Yoga – Yoga desrepressor, tem como base a filosofia do Tantrismo.

Yoga não é religião. Apesar de fazer parte orgânica dos fundamentos teóricos e filosóficos do Hinduísmo, é antes de tudo um caminho pessoal e experiencial. Enquanto um conjunto enorme de técnicas e tecnologias pode ser praticada por qualquer pessoa de qualquer religião. Até mesmo pelos agnósticos e ateus. Pois seus resultados independem de uma crença. Falamos de um Yoga Tibetano, Yoga Taoísta, Budista, Jainista, Cristão, etc. É a técnica adaptada a  crença.

  • A Espiritualidade

Assim como o Yoga se tranformou ao longo destes milênios, a fim de se adaptar às mudanças da sociedade. Assim também a Espiritualidade ou nossa relação com o mistério, o sagrado e o divino mudaram radicalmente. Remeto o leitor à meu texto “Fronteira entre Psicologia e Espiritualidade I” postado no Blog (marcoaportela@wordpress.com), em que defino espiritualidade e diferencio de religião. Segue um pequeno trecho do mesmo:

“Espiritualidade pode ser definida de diversas formas. Apesar de não ser ciência, também se constitui em um saber. Diria que se encontra nas fronteiras entre a ciência, religião, filosofia e por que não dizer, as artes. Bebe da fonte de todos estes saberes para compor o seu campo, bem como de várias ciências, como a medicina, a psicologia, a física quântica,química, dentre outras.

Primeiro deve-se diferenciar espiritualidade de religião, esta última se trata de uma instituição com regras e normas de conduta, com dogmas e doutrinas. Já espiritualidade é uma dimensão intrínseca ao Ser, aquela que nos leva a atribuir sentido a tudo e a buscar um sentido maior pra a (minha) existência.

Enquanto na religião a vivência é mais coletiva e compartilhada, na espiritualidade é mais íntima, pessoal, singular.  A religião tem um caráter ideológico, mais doutrinário, enrijecido, enquanto espiritualidade conota algo mais espontâneo, informal, criativo e universal. De forma que a espiritualidade, como dimensão intrínseca é a base e função mais central da religião (José de Paiva). Religiosidade é quando o sentido atribuído inclui um transcendente, pode estar ligado a uma religião que comporta doutrinas, regras éticas, rituais, mas não necessariamente. Podemos falar então de senso religioso (Amatuzzi). Portanto, o termo espiritualidade aqui inclui o de religiosidade, apesar de terem diferenças estão sempre ligados.

Outro significado para espiritualidade é teórico, técnico e prático, ou seja, conjunto de conhecimentos relacionados a uma visão de homem e de mundo e ligados não só ao sagrado e ás ritualísticas, mas também a um conhecimento produzido sobre a criação, a história, o homem e sua personalidade. Por exemplo, os chakras, o campo energético, os 7 corpos. Isto é o que chamo lado técnico e teórico do campo da espiritualidade que deságua num conjunto de práticas que visam não só a cura, mas o aprimoramento humano e sua evolução, por exemplo as técnicas de meditação e do Yoga.

O termo espiritualidade, possui três sentidos: 1 – existencial, como busca do sentido da existência; 2 – como um campo de conhecimentos técnico teórico; 3 – como um conjunto de práticas.”

Dentro deste ponto de vista, podemos dizer que o Yoga não é uma religião, mas sim, Espiritualidade e/ou Religiosidade.

  • Yoga e Espiritualidade hoje

Considerando o saber ou campo da Espiritualidade como a busca de sentidos e em especial, pelo sentido maior para a existência, desta forma a Espiritualidade vem se constituir em uma dimensão fundamental do ser. Desde os primórdios nossos ancestrais, os pioneiros da humanidade, se depararam com as questões ligadas ao sagrado e ao mistério e construiram teorias para entender a vida e a existência. Podemos mesmo dizer que que a própria evolução do saber se dá em torno destas questões fundamentais: quem somos nós? De onde viemos? Para onde vamos? Por que tudo isto?

No início o sentido era mágico e mítico, ou seja, era atribuído aos fenômenos da natureza forças divinas. Foram criados verdadeiros panteões de deuses por todas as religiões antigas que, em muitos aspectos, eram politeístas e panteístas.

De alguma forma, desde o início religião e espiritualidade estiveram unidos. Em alguns momentos da história, à serviço do ser humano, em outros muito frequentes à serviço de interesses próprios, da própria religião ou igreja. Até fins do século XVIII, a religião era o saber que guiava a humanidade, que ditava as normas de condutas e valores, apesar de já existir, na ocasião, o que alguns denominam pré-saber ou pré-ciência, ou seja, um misto de ciência, filosofia, religião, magia e crenças populares.

O advento da ciência moderna a partir do século XIX, foi um golpe na religião e nestes saberes dispersos, que foram desbancados e postos em segundo plano. Uma das características daquele momento foi um desbaste da ciência que eliminou de seu campo tudo que era da ordem da filosofia, da religião, da magia das crenças, enfim. Desde então o campo da espiritualidade vem buscando a ciência para compor seu conjunto de saberes.

Podemos dizer que até a década de 60 religião e espiritualidade estavam intrínsecamente ligadas. Os anos 60 marcaram uma grande mudança paradigmática. Romperam-se os padrões rígidos de relações e valores , a ciência cai de seu pedestal e já não é mais o saber que irá guiar a humanidade à seu apogeu. As filosofias orientais, incluíndo o Yoga, invadem o ocidente, abrindo um leque de sentidos novos até então impossíveis de serem pensados dado o rigor da sociedade na época. A humanidade nunca mais foi a mesma depois dos anos 60.

Nos dias de hoje, a separação entre religião e Espiritualidade já está consagrada. Apesar de o sujeito pós-moderno ter se distanciado da religião, dos cultos aos antepassados, de doutrinas rígidas e radicais, continua buscando uma resposta para suas questões existenciais e espirituais e um sentido para sua vida.

O saber ou campo da Espiritualidade, na medida em que é aberto e inclusivo, incorpora todos aqueles conceitos que podem somar na construção de um mundo melhor. Um desses conceitos é o de ecologia, outro o de dialogia. Dois conceitos importantes e fundamentais, que estão na base do novo paradigma, que hora se constrói e que busca uma alternativa nova para a crise e o caos impasses gerados pelo capitalismo moderno, pois o retorno a um fundamentalismo religioso, filosófico, político não é a solução, mas sim um retrocesso. O conceito de Espiritualidade, tal como apresentamos aqui, também faz parte deste novo paradigma, que tem como uma de suas caracterìsticas ser holístico.

Sem querer entrar em definições acadêmicas acerca destes conceitos (pois não é o objetivo deste ensaio), ecologia aqui vem nos mostrar que não somos uma espécie à parte, separada do todo. Mas que somos natureza, parte intrìnseca do ecossistema planetário. Qualquer alteração que fazemos na natureza, esta responde com sua fúria. Haja vista as alterações climáticas, os tisunames, terremotos, enfim. Portanto a ecologia vem nos mostrar que somos um com a natureza.

Já o conceito de dialogia, foi usado pela primeira vez na década de 20, por um filósofo existencialista chamado Martin Buber, e ao longo do século XX foi apropriado pelas ciências humanas, principalmente psicologia social e sociologia. Posteriormente pela psicologia clínica que hoje já conta com uma abordagem, a Psicoterapia Dialógica.

Dialogia vem de diálogo, encontro. Vem nos mostrar que o sentido que atribuímos ás coisas e acontecimentos são construídos na relação com o outro, com o mundo e a cultura. Portanto, dentro deste ponto de vista, não atribuímos um significado dentro de mim para o que o outro nos fala para depois comunicá-lo, mas o significado é construído no “entre”.  Qualquer sentido ou significado que venho a atribuir sempre será construído no “entre” da relação, conceito importante dentro da Psicoterapia Dialógica . Tudo acontece no “entre” eu e tú. Há um dimensão invisível, intersubjetiva, compartilhada, tanto nos níveis conscientes quanto inconscientes.

Enfim, este novo paradigma a que me refiro está sendo construído neste momento por bilhões de pessoas no planeta que buscam um mundo melhor, sem preconceitos raciais, religiosos, sexuais, culturais e de muitas outras formas. Um mundo em que os valores humanistas realmente venham prevalecer. Muitos pensadores do mundo todo buscam as bases filosóficas e teóricas, pensando novos modelos de relações que superem as desigualdades e os impasses aparentemente insolúveis do sistema capitalista, com seu individualismo excerbado.

E a Espiritualidade, a dialogia e a ecologia são saberes, conceitos ou valores que estão na base deste novo paradigma. A ecologia diz respeito ao nosso reencontro com a natureza; a dialogia nosso reencontro com o outro; e a Espiritualidade o encontro com nós mesmos e com a dimensão do sagrado e do mistério.

O Yoga, não só como teorias e técnicas, mas como filosofia e estilo de vida é uma grande ferramenta para a saúde e a realização pessoal.

11/05/2016

Paz para todos!

Namastê!

 

 

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Yoga no SESC

Caros amigos (as) e colegas, este é o início de um projeto de implantação de aulas de Yoga no SESC. Seria um prazer poder compartilhar minhas reflexões com vocês.Cartazete

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PERDÃO – escrito

perdão

PERDÃO

Tenho trabalhado com a energia e força do perdão. Tive alguns insights acerca do tema e este texto foi escrito para compartilhar minhas reflexões. Aqueles que alimentam ódio, raiva, rancor, mágoa ficam presas psiquicamente à pessoa num ciclo de auto-sabotagem. Estes sentimentos sangram o coração, minam nossa vitalidade e impedem que possamos seguir em frente.

Quando se trata de relações afetivas ou amorosa a coisa se complica pois os dois se envolvem nesta rede e, regredidos, entram num ciclo interminável de aproximação e distanciamento, ódio e amor, quando está tudo bem, ela ou ele são os melhores pares do mundo (ela uma santa e ele um gentlemam), aí vem a ansiedade de perda (depressiva, Pichón-Riviére) e o ciúmes. Quando as coisas vão mal ela ou ele se transformam nos piores pares (ela é a puta, ele safado galinha) aí vem a ansiedade de luta ou fuga (paranóide, ibdem) e o ódio. O casal fica preso nesta rede de auto-sabotagem que muitas vezes termina em crimes passionais como vemos muito por aí. Importante frisar que neste caso os dois são protagonistas, quando um se aproxima o outro se distancia e vice versa.

Pois bem, pensando e observando isto, várias coisas me ocorreram recentemente:

  1. O ódio, raiva, rancor, mágoa aprisionam e não nos deixam seguir em frente;
  2. A única forma de sair desse ciclo é atravéz da força e energia do perdão;
  3. Almas jovens, pequenas e imaturas não tem capacidade de perdoar, o perdão é para as almas grandes e nobres;
  4. Para perdoar devemos desenvolver a compreensão empática em relação ao outro (a), ver não só o lado do outro mas a situação de uma forma mais abrangente e o contexto em que aconteceram as coisas;
  5. Devemos também ver em que somos responsáveis na situação vivida;
  6. O perdão não é algo pontual, em que uma vez perdoada a pessoa, passa o sentimento negativo, não! O perdão é um processo, pois o ódio, a mágoa voltam e devemos então perdoar novamente, e novamente até que aos poucos nosso coração vai se esvaziando desta energia negativa.
  7. Perdoar não quer dizer que vamos voltar a nos relacionar com a pessoa, seja amigo, amante ou mesmo um parente. O perdão nos liberta desta rede e ao outro também.
  8. O outro (a) não precisa perdoar. Se o outro não consegue e não tem esta capacidade é problema dele (a). Perdoe e se liberte.
  9. Para que o perdão seja libertador, devemos desenvolver a compaixão. Tenha compaixão.
  10. Um ponto que descobri com muita surpresa. O ódio, a tristeza, ou qualquer destes sentimentos quando surgem em relação a uma pessoa, na verdade ali, está embutido todos os ódios e tristezas, de todas as pessoas que passaram pela minha vida. Portanto, não adianta perdoar só uma pessoa. Ao perdoar, devemos fazê-lo com todas as pessoas que porventura tenha nos feito mal ou nos prejudicado na vida. Este é um ponto fundamental na metodologia dos Alcoolicos Anônimos.
  11. Nada disso tem a ver com religião, mas sim os princípios superiores que regem as relações humanas.
  12. Perdoar não significa esquecer, isto é amnésia, mas na medida que perdoamos, a lembrança da pessoa passa a vir acompanhada não de ódio e angústia, mas de compaixão e empatia. Este é um sinal que estamos conseguindo perdoar.

Por fim e talvez o mais importante, faça toda esta reflexão em relação a si mesmo, seja verdadeiro e se perdoe, por todos os males causados aos outros e até a você mesmo. Afinal, ninguém é santo. Boss, um psiquiatra existencialista, diz que a culpa é intrínseca à existência. Nos culpamos não só pelo que fizemos de errado mas principalmente pelo que deixamos de fazer. Pelos caminhos que deixamos de trilhar, pelas oportunidades perdidas, pelos potenciais que não desenvolvemos. Procure aproiveitar as oportunidades para crescer e aprender, este é um antídoto contra a culpa.

Um grande sábio disse uma vez: “amai ao próximo como a ti mesmo”. As pessoas leem esta frase como um mandamento mas na verdade é uma lei. Sempre amamos ao outro como a nós mesmos. Se não gostamos de nós e não aceitamos nossa condição, também não gostaremos dos outros. Amamos o outro na mesma medida que nos amamos ou nos odiamos. Portanto, seja consciente de seus defeitos e falhas, mude o que puder, aprenda a lidar com o que não puder mudar e se ame mesmo com todos os defeitos.

A aventura da vida só tem sentido quando amamos e somos amados. Para amar plenamente temos que estar com o coração aberto e limpo. Perdoe a si mesmo, ao outro e à vida, limpe seu coração do ódio e da angústia. Termino com uma frase de Boss para pensar, “o antídoto da angústia é o amor”.

Muita Paz para todos!

Marco

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Caminhando e pensando…

Tristezas

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WORKSHOP DE PSICOLOGIA HOSPITALAR

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MeditaMundo – caminhando e pensando… em neurociências

Eu e meu cerebro

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Meditamundo – Caminhando e pensando…

 

 

Eu maiorSobre  a Espiritualidade Maior

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MEDITAMUNDO – Caminhando e pensando…

Sobre a Morte e o morrer!Sobre a morte

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I Simpósio de Psicologia Hospitalar do Hospital Israel Pinheiro – Psicologia Hospitalar: Avanços e desafios –

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Na oportunidade, não poderia deixar de compartilhar o I Simpósio de Psicologia Hospitalar do Hospital Israel Pinheiro (IPSEMG), do qual tive a honra de participar com a palestra “Psicolcartaz eventoogia Hospitalar: avanços e desafios”. Foi um convite para falar um pouco da história da Psicologia no Brasil e em Minas Gerais, e vislumbrar um pouco dos desafios futuros. Descobri que depois de 21 anos de prática e militância faço um pouco parte desta história que compartilhei no Simpósio.

Não produzi um texto, mas vou compartilhar dos slide, que por natureza, informam pouco, são pontuais e podem dar margem a várias interpretações, principalmente quando não vem junto com a exposição e explicação oral. Feita esta advertência, para minimizar erros ou distorções interpretativas me coloco sempre à disposição para quaisquer esclarecimentos.

Gostaria de agradecer à psicóloga Flávia, coordenadora do setor de Psicologia do Hospital Israel Pinheiro, pelo convite, parabenizá-la e à toda equipe pela iniciativa e sucesso do evento. Foi uma manhã muito rica de aprendizados, trocas de experiências e informações. Que estes momentos de crescimento profissional e por que não dizer pessoal possam se repetir.

Abraços à todos (as)!

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Amputação e depressão – II Seminário do Serviço de Psicologia – apresentação

Foto texto II Sem
Em 27 de agosto comemoramos o dia do Psicólogo. Temos muitas conquistas pra comemorar, mas também muito ainda temos que trilhar e conquistar na construção da Psicologia como ciência e profissão. Em comemoração ao nosso dia, foi organizado no Hospital o João XXIII o II Seminário do Serviço de Psicologia. Tivemos a presença de colegas de diversos hospitais como HGVO, Hospital das Clinicas, Santa Casa, Colônia Santa Izabel, Hospital Israel Pinheiro (Ipsemg), dentre outros e acadêmicos de várias faculdades de psicologia, FEAD, UNA UNI, UFMG, PUC.

O evento foi um sucesso, oportunidade da equipe como um todo e de cada um de nós, profissionais do hospital, compartilhar um pouco do nosso trabalho, do nosso fazer, da nossa práxis. Oportunidade de receber colegas e trocar experiências, de contribuir para o processo ensino/aprendizagem. Parabéns à toda a equipe de Psicologia do Hospital João XXIII e em especial à coordenadora Luciene e às colegas que organizaram o seminário. Parabéns à todos nós Psicólogos (as), somos heróis, verdadeiros sobreviventes nessa selva de pedra!

Segue o pequeno texto que produzi para minha apresentação.  Trata-se de uma breve reflexão, com o objetivo muito mais de suscitar que fechar questões.

Amputação e depressão[i]

 

Marco Portela[ii]

Muitos fatores ou variáveis vão determinar como o sujeito vai lidar com o trauma, são o que denomino recursos: estrutura de personalidade, sua história, incluindo traumas, perdas e a história psiquiátrica, crenças e valores, trabalho, família, amigos, vida afetiva, até mesmo a espiritualidade, são recursos importantes que o paciente “deve” acionar a fim de lidar de forma mais satisfatória com a situação. Outros fatores são o momento em que ocorre na vida, o lugar do paciente na família bem como o tipo da doença, do trauma e suas consequências.

Quanto a esta última Rolland (1995) elabora o que chamou tipologia psicossocial da doença, ou seja, o tipo de adoecimento ou trauma vai determinar em grande medida como paciente e família vão reagir. Os critérios da sua tipologia são:

Início:

  1. Gradual
  2. Agudo

Curso:

  1. Progressivo
  2. Constante
  3. Reincidente

Grau de Incapacitação:

  1. Sequelas sensoriais, motoras, cognitivas, estéticas, vitais, ou seja, na produção de energia, funcionais dentre outras. Diferentes tipos de sequelas implicam diferentes formas de ajustamento.

Consequências:

  1. Leva a morte ou não?

Estes critérios, aliados aos fatores e recursos citados anteriormente e às fases temporais da doença (fase da crise, crônica e terminal) vão, portanto não só determinar como paciente e família vão lidar com o trauma mas também servem como um mapa, uma das referências importantes para a intervenção do psicólogo.

Não vamos nos aprofundar no momento nestes critérios, mas foram citados para localizarmos o trauma da amputação. De acordo com os critérios psicossociais uma amputação, principalmente traumática, tem início agudo, curso constante, não leva à morte – apesar de nos primeiros momentos, mais agudos, a presença e vivência da morte ser uma constante – mas pode ter consequências motoras, estéticas, vitais, sensoriais, dentre outras.

Neste pequeno texto, primeiramente vou falar um pouco sobre a amputação e depois sua relação com a depressão, sem querer em absoluto esgotar o tema, ou trazer questões fechadas mas apenas uma pincelada de contribuição para uma reflexão.

No caso da amputação, o corte abrupto da linearidade da existência se dá no corpo, na carne rasgada e cortada que marca uma mudança importante e permanente da imagem ou esquema corporal, que é a representação que cada indivíduo constrói ao longo da vida a respeito de seu corpo. A imagem corporal tem aspectos psicológicos, ambientais, sociais, culturais e históricos. Portanto a não tem um aspecto somente funcional mas está intrinsecamente ligada à experiência afetiva e à relação com o outro. “Corresponde à totalidade da organização psicológica do indivíduo” (Dalgalarrondo, 2008).

O corpo é o principal veículo da existência. Existir é estar encarnado em um corpo. É ser e ter um corpo, lugar de dor, de prazer, de preocupação, de medo e desejo. A percepção corporal e a motricidade formam, do ponto de vista neurológico e neuropsicológico, uma unidade indivisível (Dalgalarrondo, 2008). Uma amputação vai alterar definitivamente a imagem corporal, podendo vir a se constituir em ferida narcísica de tamanha intensidade que o sujeito não terá recursos para superar sem fazer sintoma. No processo de elaboração do trauma, a reconstrução da imagem corporal vai ocupar um lugar central, sendo tema recorrente em boa parte das sessões.

Algumas reações, denominadas de ajustamento (CID-10: F-43), são comuns à todos os pacientes independente do tipo de doença ou trauma, uma ansiedade mais elevada, um certo nível de depressão que denominamos reativa, irritabilidade, regressão, alterações do sono e do apetite são algumas destas reações que são consideradas normais, esperadas, e por outro lado respondem bem aos atendimentos psicológicos. Dependendo do membro amputado essas limitações serão maiores ou menores e as reações do sujeito estarão de alguma forma condicionadas a elas.

Mas devemos ficar atentos pois são reações que se encontram no limite entre o normal e o patológico (Dalgalarrondo, 2008). Alguns pacientes não tem recursos suficientes para lidar com a situação e evoluem para o sintoma ou adoecimento psicológico. Para outros o trauma é tão grave e incapacitante que nunca mais irão resgatar suas vidas como antes, e apesar de todos os recursos a realidade é por demais pesada, massacrante, se impõe e o sujeito ante tamanho desafio de superar a situação sucumbe também ao sintoma. Cada um tem um limiar de segurança ontológica (Laing, 1963). A amputação se enquadra neste último caso, e a depressão é um dos quadros mais comuns de se encontrar nas enfermarias do João XXIII.

A depressão, dada sua natureza altera a imagem do corpo, que é vivido como lento, pesado, desarticulado, fonte de sofrimento, vivência corporal denominada astenia (Dalgalarrondo, 2008). O deprimido não anda arrasta, não deita, desmonta. A depressão grave pode levar a distorções importantes da imagem corporal, levando a delírios a até mesmo aos chamados transtornos somatoformes. Quadros de ansiedade intensa também podem levar a dissociações e despersonalizações em relação ao corpo e à corporalidade.

Nos primeiros dias o paciente fica preso ao corpo, a um leito e ao contexto hospitalar. É assolado pelos fatores existenciais de que fala Yalom, a morte, a liberdade, a solidão e a falta de sentido, e como psicólogos uma de nossas tarefas é ajudá-lo a lidar e laborar estas questões. Importante ressaltar que pegamos o paciente no momento de crise traumática, ou seja, abrupta e inesperada, o trauma está muito recente, as dores, os incômodos corporais, as fantasias quanto aos procedimentos, enxertos, tudo isto se faz figura e ofusca uma elaboração mais profunda.

Depressão é dor psíquica, dor de existir, é angústia, é dor de perda, neste caso da “perna”, da saúde, do andar, dos planos, do futuro. São três os momentos pelos quais passa o paciente em sua vivência do trauma, da dor física e da depressão (Nasio, 1997). O primeiro é o o momento do trauma ou ruptura; o segundo a comoção, ou seja, o “enlouquecimento das tensões pulsionais”, momento paroxístico em que as energias bem como as representações estão descontroladas e desordenadas, já não se ancoram nem no mundo nem no corpo. O terceiro momento é dividido em dois: 1) o superinvestimento no objeto perdido; 2) o desinvestimento.

Nasio (1997), denomina o terceiro momento das defesas, mas, o quadro de comoção deve também ser visto como uma defesa, de caráter mais arcaico, regredida, equizo-paranóide, em que o paciente ou familiar dissociam do ambiente, não nos ouvem ou mesmo veem, as palavras já não são suficientes, resta o pranto, o grito, o soluço, o espasmo, o tremor.

Mas a realidade se impõe e aos poucos o paciente vai se reconectando com o ambiente e entra então no terceiro momento, das defesas propriamente ditas. O paciente chega na internação, em geral, proveniente do CTI, mais estável psiquicamente, mas ainda em crise, no meio do tratamento com muitos procedimentos a fazer e muitas incertezas. Na maioria dos casos já passou pela comoção e está começando a mobiliar suas defesas e recursos para entender e lidar com a situação.

O momento da crise é o mais plásticos (Moffatt, 1982) do processo de elaboração do trauma, pois o sujeito está re-sintonizando, reconectando com a realidade, com o ocorrido, suas defesas estão se organizando e ainda não estabilizaram em comportamentos sintomáticos. A intervenção psicológica neste momento tem um caráter profilático na medida que pode impedir que o sujeito evolua para mecanismos de defesa patológicos. Pode ajudá-los a desenvolver defesas mais saudáveis e satisfatórias.

No primeiro momento das defesas, o do super investimento no objeto, até mesmo em função das dores e incômodos corporais, o paciente está preso ao presente imediato, ao corpo e suas manifestações. Principalmente no início dos atendimentos o paciente fala do corpo, das dores, dos incômodos, dos procedimentos, do tratamento, enfim. Como se fosse um balão cheio que precisa esvaziar.

O tema do membro perdido é também é recorrente, cada hora de uma forma ele vem a tona em sua fala e comportamento. A dor fantasma é interessante pois, apesar de ter um aspecto neurológico, tem outro do vivido do paciente, que inclui o fenômeno no processo de elaboração do trauma e reconstrução da imagem corporal. “As vezes sinto cócegas nos dedos ou penso que ainda estou com o braço e vou coçar o rosto” disse um paciente. Na dor fantasma o paciente continua sentindo o membro amputado, podendo apresentar desde coceiras e leve formigamento até dores intensas.

Importante deixá-lo esvaziar desta angústia, ao nos determos um pouco mais ao lado do paciente permitindo momentos de silêncio, aos poucos ele vai esvaziando e descolando do corpo e da situação imediata e começando a fazer outras associações. Começa a falar de suas relações, de seu passado, sua história e de seu futuro. O paciente está fazendo luto da perda do membro e dentro do processo este descolamento e temporalizar é um sinal importante de que paciente está vivenciando de maneira normal o processo do luto (Freud, 1996).

Na medida que acompanhamos o paciente em seu processo e exercemos a função continente absorvendo um pouco de sua angústia, o ajudamos a fazer esta passagem sem ou com o mínimo de sintomas psíquicos. Ao mesmo tempo o ajudamos a dar um sentido e a encaixar o trauma em sua história de vida, resgatando alguns planos,  e criando outros, novos horizontes, pois estamos sempre olhando pra frente.

Às vezes o sujeito não consegue fazer esta passagem, este desinvestimento, descolamento, seus recursos são escassos e o paciente evolui para a depressão, ou o luto patológico. Se agarra, à “perna”, à situação imediata, não consegue olhar para o futuro que se tornou obscuro, a vida acabou. Há um rebaixamento importante do humor, um maior nível de ansiedade, o paciente regride e se torna mais queixoso, infantilizado e com pouca capacidade de elaboração. Neste momento estamos diante já de uma depressão moderada para grave que exige, concomitante com o atendimento psicológico, uma intervenção medicamentosa. Hora de conversar com o médico.

Em geral a medicação com o atendimento psicológico, aliado ao acompanhamento familiar, enfim, levam a uma certa estabilização do quadro, enquanto paciente está internado. Por ocasião da alta hospitalar deve-se fazer o devido encaminhamento para que o paciente procure um serviço e dê continuidade ao tratamento psicológico e psiquiátrico. Costumo dizer que a ficha só vai cair mesmo quando paciente chega em casa.

O momento da alta hospitalar é muito interessante, pois é vivido de forma paradoxal. O hospital já é conhecido e ele tem tudo que precisa para sua sobrevivência, está numa espécie de zona de conforto. A alta é a possibilidade desejada de voltar ao lar, mas ao mesmo tempo temida em função das incertezas de sua recuperação e de sua vida dali em diante. A volta ao lar é mais uma etapa de um processo que não termina ali, mas irá durar o resto de sua vida.

Eles (os pacientes) vão e nós ficamos, passamos rápido por suas vidas, mas em um momento intenso e forte. Uma das coisas bonitas que aprendi com minha profissão foi “deixar passar”, “deixar ir”, “desapegar”.

Referências bibliográficas:

_Classificação de transtornos mentais e de comportamento da CID-10: descrições clínicas e diretrizes diagnósticas – Coord. OMS; Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

_Dalgalarrondo, P. Psicopatologia e semiologia dos trantornos mentais. 2.ª ed. Porto Alegre: 2008.

_Freud, S. Luto e melancolia, 1917 [1915]. In: ______. A história do movimento psicanalítico. Rio de Janeiro: Imago, 1996. p. 243-263. (Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, 14).

_Laing R. D. O Eu dividido Rio de Janeiro: Zahar, 1963.

__Minkowski E. La esquizofrenia: psicopatologia de los esquizóides y de los equizofrenicos. Buenos Aires: Paidos, 1960.

_Moffatt, Alfredo Terapia de crise: teoria temporal do psiquismo São Paulo: Cortez, 1982.

_Nasio J. D. Livro da dor e do amor Rio de Janeiro: Zahar, 1997.

­_Rolland J. Doença crônica e o ciclo de vida famliar in Carter B., McGoldrick M. As mudanças no ciclo de vida familiar: uma estrutura para a terapia familiar 2.ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

Ago/2015

[i] Texto produzido para apresentação do II Seminário de Psicologia Hospitalar do Hospital João XXIII.

[ii] Psicólogo da Clínica de Cirurgia Plástica do Hospital João XXIII.

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“VISUALIZAÇÃO CRIATIVA – a arte da maestria da vida” – Escrito (1997)

Visualização criativa I

As técnicas de mentalização são utilizadas hoje com diversos nomes e as mais diferentes fundamentações. Mesmer já usava em fins do século XIX , sua técnica de hipnose veio ser conhecida sob o nome de mesmerismo. De lá para cá, muitos outros autores se utilizaram deste recurso de várias formas e com vários propósitos terapêuticos ou de aprendizagem; Jung denominava imaginação ativa.

Treinamento autógeno, Programação Neurolinguística (PNL), as técnicas modernas de relaxamento e hipnose, a própria visualização criativa, bem como várias outras técnicas do campo “Psi” se utilizam de imagens ou ‘representações mentais’ (redundância necessária neste contexto).

O texto a seguir foi Escrito em 1997.  Na ocasião ministrava workshops de crescimento pessoal e auto-conhecimento para os quais o texto foi produzido. É pequeno, simples e direto. Em uma fase de minha vida, a utilização destes princípios e técnicas me foram muito úteis e ajudaram na superação de muitos impasses pessoais e profissionais. Interessante é que depois de tantas andanças, estudos e formações na área da Psicologia, esta só veio confirmar os princípios que estão por trás destas técnicas. Dada sua atualidade, achei melhor não alterar o texto, deixá-lo no formato original.

E neste momento, em que estou articulando Psicologia e Espiritualidade de forma mais madura, consistente e fundamentada, achei oportuno colocar no ar este Escrito. Conta um pouco de minha história, e ao mesmo tempo aponta para o futuro, pois como diz Lô Borges “os sonhos nunca envelhecem”.

ESCRITO

Visualização Criativa

A arte da maestria da vida

Uma das características do saber contemporâneo é sua fragmentação em dezenas, às vezes centenas de especializações. Se isto possibilita um maior aprofundamento em determinado ramo do saber, por outro lado, pode conduzir à perda de uma visão sintética e totalizadora do ser humano.

O esoterismo não escapa a esta tendência, de tal forma que hoje,uma grande quantidade de conhecimentos se destacam de seu corpo maior, ganhando um estatuto próprio. É o caso das artes adivinhatórias, tais como o tarô e astrologia, as técnicas da Yoga, bem como das técnicas de visualização e concentração, que recentemente vem ganhando espaço entre os pesquisadores e profissionais das áreas místicas e humanas. Dentre elas a técnica chamada visualização criativa.

Porém, a aquisição de um estatuto próprio tem vantagens técnicas, didáticas e metodológicas importantes que facilitam a aprendizagem, a internalização dos princípios subjacentes e, conseqüentemente, a sua prática.

A visualização criativa é uma técnica indispensável na grande maioria das práticas místicas e mágicas, ocidentais e orientais, pode ser definida como todo trabalho técnico, metódico e consciente com imagens mentais. É utilizada há milhares de anos por místicos, yogues, magos e sacerdotes de todas as tendências e em todas as épocas, como prática complementar às meditações, relaxamentos, respiratórios, rituais mágicos e outras tantas técnicas conhecidas.

Hoje, todas as correntes que trabalham com o poder do pensamento, psicologia da auto-ajuda, PNL e diversas outras correntes terapêuticas, se utilizam da técnica de visualização criativa. De tal forma que esta última A sua eficácia se baseia nos princípios e leis universais que regem a manifestação de qualquer fenômeno.

A sua ferramenta principal é a imaginação aliada a uma boa dose de criatividade e vontade. A imaginação é uma das faculdades mais potentes que temos à disposição em nosso psiquismo para empreendermos mudanças significativas em nossas vidas. Tem como características básicas ser criativa e sintética. Criativa devido a sua capacidade de gerar imagens ou representações em sua mente, é gerar uma imagem e colocá-la em ação. Sintética por que é capaz de mobilizar todo nosso ser, isto é, uma imagem mental é capaz de afetar direta e dramaticamente nossas emoções, sensações e influenciar ou mesmo determinar nossas ações.

Neste século, Jung foi um dos primeiros cientistas a enfatizar a força e a importância da imaginação, desenvolvendo técnicas específicas para se trabalhar em nível terapêutico. Roberto Assagioli enfatizou ainda mais sua importância, dizendo que na luta entre a vontade e a imaginação, esta última sairá sempre vencedora.

A utilização de imagens de forma técnica e sistematizada, faz com que o inconsciente aos poucos assimile a nova informação, reproduzindo novos padrões de comportamento psíquico e físico. Aliando a imaginação a vontade, gera-se a tensão e a energia necessárias à concretização de seus desejos, metas e para a cura dos males físicos e psicológicos.

Outra característica importante da imaginação é seu carater autônomo em relação ao psiquismo, pois, estamos permanentemente gerando imagens, à revelia de nossa vontade, o que Freud chamou de sonhos diurnos ou fantasias.

Um dos princípios desta técnica diz que “a energia segue o pensamento”. Se pensamos negativamente que não podemos, não damos conta, nosso inconsciente por fim aprende a trabalhar com este padrão e o repete mecanicamente. Porém, podemos mudar esta programação, esta tendência à repetição e a hora é agora. Como diz Louise Hay “ o ponto de poder é aqui e agora”.

A visualização criativa é uma das técnicas que nos permite mudar esta programação. Através dela podemos alterar nossos padrões de pensamentos e comportamentos, deixando de ser objetos e ganhando o estatuto de sujeitos de nossa existência.

Aliar a visualização criativa à afirmações, concentrações, meditações e outras técnicas pode nos conduzir com segurança à realização de nossas metas e á maestria da vida.

Hoje são as outras técnicas que se tornaram coadjuvantes em nosso processo de mudança e crescimento, onde o papel principal cabe agora à imaginação e à visualização criativa.

Marco Portela

1997

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Supervisão em Psicologia Clínica e Hospitalar

Dificuldade na condução de um caso clínico? De um grupo? Precisa de orientação?Supervisão II

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Grillo Falante – caminhando e pensando…

Grillo Falante

É interessante como incluímos à nossa imagem ou esquema corporal  extensões e próteses diversas como óculos e aparelhos auditivos. A bengala do cego não é apenas uma bengala, é uma extensão de seu corpo. Algumas extensõeGrillo falantes são incorporadas de forma profunda e fazem parte do comportamento e estilo de vida. Estão tão arraigadas que só percebemos sua existência quando sentimos sua ausência, os óculos por exemplo. Já fazem parte do eu corporal. A vida moderna impõe muitas outras extensões ou próteses, o celular é uma delas.

Segue o depoimento de um popular:

_ Oi! Meu celular se chama Grillo Falante, aquele do Pinóquio! Lembra? É minha memória e minha consciência. Ele me acorda, me lembra as coisas, mostra a hora, me coloca em contato com amigos, colegas e outras pessoas. Aliás, ele me põe em contato com o mundo. É tudo pra mim, agenda, relógio, calendário, despertador, calculadora, joguinhos, câmera, espelho, lanterna, manda mensagens, zapzap, facebooka, serve até de telefone rsrsrsrsr.

Quando não sei como chegar ele me ensina e quando sei mas tô bebado ele me protege e fala onde estão as blitz. Se não tô de carro ele me arruma um taxi. Me fala de tudo que tá acontecendo na cidade. O Grillo tá sempre comigo. Praticamente não dá trabalho. Tenho apenas que alimentá-lo de energia vital e informações todo dia. Quando fica sem energia e tô sem o carregador entro em ansiedade. E se alguém ligar, mandar mensagem, zapzap, facebooka? E se eu quiser falar com alguém? Pelo menos quando não preciso dele ou tenho algo mais importante ele não enche o saco, fica na dele.

Coloquei uma proteção, não gosto daquelas com escudo de time ou bandas de rock, comprei uma transparente para valorizar suas linhas clássicas e elegância. Às vezes tiro a capa e deixo ele respirar um pouco, dependendo onde vou não coloco a proteção. Mas pra uma viagem sempre! Coloquei também um vidro pra proteger a tela. Não gosto de músicas e sons diferentes e pessoais nas chamadas, pois chama atenção dos ladrões e olhos gordos.

Meu irmão disse uma vez que tenho TIC moderado.

_ Tique?! Mas eu não tenho tiques! Eu sou normallll!

_ TIC! Toque Ilusório do Celular! Vi na tv! Disse ele.

Meu irmão é muito inteligente, às vezes meio teimoso! Se chama Osmar Mota, vulgo Marmota! KKKKK

_ Se vc sente ele vibrar em seu bolso mas ele não ta vibrando, ou o ouve tocar e ele não tá tocando são sinais da doença. Explicou. _ Se isto se repetir por seis vezes ou mais no dia é grave! Rsrsrsr Precisa até de tratamento.

Fiquei meio apavorado, mas tudo bem. Só não entendi esse negócio de moderado. Aff!

Tenho amigos que quando estão com a turma ficam mais no celular que na relação. Pessoas que deixam de relacionar pra ficar o dia inteiro no celular. Tento controlar minha relação com o Grillo, ele é apenas minha consciência rsrsrsrsr, está a meu serviço e não posso ser seu escravo. Isto é uma tensão na nossa relação. Mas minha relação com ele é de uso, instrumental. Estou sempre esperando por uma ligação, uma mensagem, ele vibrar, tocar e fazer vibrar e tocar meu coração!

Mas o Grillo estará sempre lá…

 20/05/2015

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A técnica na Psicoterapia Existencial – artigo

capa artigo sobre técnica

Este  artigo foi produzido a partir de reflexões sobre as questões técnicas na Psicoterapia Existencial e a forma como temos encarado o tema. Foi apresentado no I Congresso Internacional de Psicologia Existencial e publicado no caderno de conferências. Na ocasião fiz no blog um comentário sobre o Congresso. Segue um pequeno trecho:

20150407_105105“Creio ter sido este o fator novo que surgiu no Congresso, seu maior legado, a tentativa de pensar a questão da técnica isento de pré-conceitos. Afinal já foi muito explorado, discutido e elaborado nas últimas décadas as questões acerca da fundamentação filosófica e epistemológica, bem como a questão da relação. Esta mais que claro a primazia da relação na Psicoterapia Existencial. Porém o tema da técnica foi deixado de lado, seja por preconceito, por medo ou por ideologia. Finalmente parece que chegou o momento de falar abertamente sobre o tema.” Publicado no blog em 01/10/2013

Procurei fazer uma sistematização das técnicas na abordagem existencial e as dividi em dois grupos: as técnicas relacionais e as direcionais, sendo que o grupo mais polêmico é das técnicas relacionais pois são manejos que estão na fronteira entre técnica e relação e permitem ao terapeuta ser ele mesmo, autêntico, pessoa. Comentei e refleti sobre o tema em um artigo posterior já publicado no blog em 26/01/2015 denominado “Acolhimento: estratégia ou função?”.

O artigo que segue na íntegra tem como objetivo contribuir para esta reflexão fundamental, principalmente nos dias de hoje, para o desenvolvimento da Psicoterapia Existencial, que ultimamente tenho gostado de denominar Psicoterapia Dinâmica Existencial.

ARTIGO

A técnica na Psicoterapia Existencial

Marco Portela

 “A metodologia padece sempre de um atraso cultural. Nosso problema consiste em ampliar nossa visão para que abarque uma maior experiência humana, em desenvolver e liberar nossos métodos a fim de que, na medida do possível, justifiquem a riqueza e vastidão da experiência humana.”
Rollo May

Introdução

Um dos pontos mais frágeis e mais criticados da ou das Psicoterapias Existenciais é a questão da técnica. Arrisco dizer que esta questão se configura em um dos pontos cegos da práxis clínica em psicologia. A práxis se compõe de um tripé que consiste em uma teoria, uma técnica e a prática propriamente dita. Este tripé esta fundamentado em um solo epistemológico e antropológico que determina uma visão de mundo e de homem. Vários são os fundamentos epistemológicos na psicologia, dentre eles os principais são o positivismo, a fenomenologia, a dialética (Minayo, 1994) e  a psicanálise. Mas estes não esgotam a lista, deve-se acrescentar aqui as ciências da linguagem e da informação dentre outras e considerar também as fronteiras que a psicologia faz com muitos outros saberes e disciplinas em todas as áreas da ciência, como a biologia, sociologia, antropologia, serviço social, na área da saúde a medicina, terapia ocupacional, na educação com a pedagogia, enfim esta lista é longa.

Temos a convicção que não há saber que dê conta da complexidade do sujeito pós-moderno (Guiddens, 2002; Hall, 2002; 1996; Lipovetsky, 1983) e para evoluir as ciências estão tendo que abrir suas fronteiras, incorporar em seu  saber conceitos vindos de outros campos, outras disciplinas (Lyotard, 1986). O campo da psicologia clínica, bem como o da psicoterapia também esta passando por requestionamentos e tendo que ampliar sua visão do ser humano.

Hoje estamos, não só assistindo de camarote, mas participando ativamente da construção de um novo paradigma. O paradigma clássico está falido, já demonstrou sua ineficácia na construção justa, igualitária de uma sociedade que respeite os princípios humanistas. E o paradigma emergente ainda está em construção, mas suas raízes já foram plantadas (Santos, 1987; Boff, 1996), e conceitos como ecologia, dialogia, bioética, intersubjetividade, síntese fazem parte da construção de outro olhar para o homem e para o mundo, no sentido de considerá-lo em todas as suas dimensões, sem segmentá-lo mas vê-lo de forma integral, holística, em unidade consigo, com o outro e com a natureza.

Este movimento também se observa no campo da psicologia clínica e da psicoterapia, ou seja, a crise de paradigmas afetou também a psicologia clínica (Portela, 2008). Na medida que não há técnica que dê conta de lidar com todas as facetas do sujeito pós-moderno, a psicologia clínica se debruça sobre a questão buscando técnicas cada vez mais eficazes. Este tecnicismo é criticado com muita propriedade pelos adeptos da abordagem existencial, porém, alguns exageram e radicalizam. Aprendemos a tempos que nestes casos não pode haver radicalismo nem de um lado, nem do outro.

Yalom também fala da crise em nosso setor, e aponta um outro fator crucial que leva a psicoterapia e os psicoterapeutas a um tecnicismo exacerbado a fim de torná-la mais eficaz e atender o mercado da saúde,

“oferecer orientação e inspiração para a próxima geração de psicoterapeutas é extremamente problemático, hoje, porque o nosso campo se encontra numa grande crise. Um  sistema de assistência médica impulsionado pela economia exige uma modificação radical no tratamento psicológico, e a psicoterapia agora é obrigada a ser ágil – isto é, acima de tudo, econômica e, forçosamente, breve, superficial e inconsistente” (Yalom, 2006, pag. 14).

De forma que a técnica em psicologia sempre foi um dos pontos mais frágeis, em todas as abordagens, a ponto de correntes mais recentes como a Psicologia transpessoal e holística lançar mão de técnicas ligadas á área mística, como a meditação por exemplo. Se nós psicólogos descobríssemos uma técnica que fosse aplicada com a maior eficácia a todos os sintomas psicológicos humanos, quem a descobrisse sem dúvida seria um candidato ao prêmio Nobel.

Em muitos casos se pretendeu dar a técnica o estatus de “pulo do gato”, ou seja, sempre que uma técnica era criada, surgia como o apanágio para todos os desvios de comportamentos e sintomas psíquicos. Por outro lado, uma técnica nova, para se firmar tinha que invalidar as demais em uso, o caso mais clássico foi da hipnose que Freud invalidou e a partir daí todos os pós-freudianos ao longo das décadas seguintes fizeram o mesmo sem conhecimento de causa. Foi preciso surgir, nos anos 50, um psiquiatra de coragem para resgatar a hipnose do limbo ao qual foi lançada e descobrir que parte do que Freud disse sobre a ela estava errado (Erickson, 1994; Zeig, 1985; Haley, 1966). Me refiro a Milton Erickson que estudou e sistematizou a técnica hoje reconhecida e aceita pelos conselhos de psicologia e medicina de todo o mundo.

Apesar de a técnica se constituir numa questão importante para a psicologia clínica como um todo, neste artigo não vou tratar da técnica na psicoterapia de forma geral, mas sim das psicoterapias denominadas existenciais. Todas as demais abordagens em psicoterapia, de uma forma ou de outra desenvolveram suas técnicas, de acordo com o olhar que construíram sobre o humano, até mesmo a humanista rogeriana com o método não-diretivo. A psicoterapia existencial, dado seus modelos teóricos e suas origens, desenvolveram uma visão da psicoterapia que colocou a técnica em um segundo plano (May, 1967; 1961). Em função de seus postulados, a teoria existencial sempre priorizou a relação terapêutica em detrimento da técnica. Isto é histórico!

“A técnica segue a compreensão. A tarefa substancial e a responsabilidade do terapeuta consistem em compreender o paciente como um ser-no-mundo. Todos os problemas técnicos estão subordinados a essa compreensão; sem ela, os recursos técnicos são impertinentes no melhor dos casos, e no pior um procedimento para sistematizar a neurose” (May, 1967, pág. 105).

 Essa visão da técnica era compartilhada por outros grandes representantes da corrente existencial (Boss, 1958; Binswanger, 1967). Por outro lado, May  afirma que “muitos psiquiatras existencialistas não se interessam grande coisa por matérias técnicas” (May, 1967, pág. 105), e cita Kuhn que, quando perguntado sobre a técnica que usava responde que a análise existencial é uma disciplina relativamente nova que ainda não teve tempo de desenvolver suas técnicas terapêuticas (ibdem, 1967). Frankl também critica a técnica ao falar sobre a psicanálise, “quanto cinismo se esconde detrás de semelhante interpretação da psicoterapia como técnica, como psicotécnica” (Frankl, 1955, pág. 10).

Para boa parte dos autores existenciais, uma importância exagerada na técnica se constituiria em um obstáculo para uma relação autêntica e para uma compreensão existencial-fenomenológica do ser, pois leva a uma coisificação do sujeito, a uma rotulação, a considerar o homem um objeto que se deve calcular manejar e analisar. Ou como diria Castillo, leva a ver o sujeito como um problema ou uma doença a ser tratada (Castillo, 1966). Para May (1967) no ocidente existe a tendência a crer que a compreensão segue a técnica. Mas como dito anteriormente na análise existencial é o contrário.

Esta visão da técnica persiste até os dias de hoje. A grande maioria dos textos e livros recentes acerca da psicoterapia existencial não entra no tema da técnica, se limitando à fundamentação filosófica, epistemológica e teórica da abordagem. Quando citam a técnica o fazem de forma pejorativa ou para criticar as demais abordagens que a utilizam e, diga-se de passagem, de forma genuína e autêntica. Muitos se baseiam nas críticas dos pioneiros já citados, outros na crítica Heideggeriana ao tecnicismo da era moderna.

Ora, a técnica se constitui num dos pontos mais criticados das psicoterapias de cunho existencial[1], e assume um caráter extremamente obscuro na medida em que os próprios teóricos da abordagem se negam a falar ou quando falam é mais para criticar sem trazer nenhuma luz sobre o tema. Fazem uma articulação muito consistente, falam dos objetivos do terapeuta ou analista existencial, mas não apontam como este deve proceder para levar seu cliente a atingi-los. Usam uma linguagem muito distante do que se vive dentro do setting terapêutico, se perdendo nos meandros teóricos e filosóficos, caindo numa linguagem vaga, baseada numa terminologia filosófica e que não remete ao fazer mais concreto do psicólogo.

Esta postura leva a críticas pesadas à psicoterapia existencial. Duas que já estão disseminadas e volta e meia ouvimos por aí: “quando o terapeuta não tem uma linha de trabalho diz que é existencialista”; “o terapeuta existencial atua intuitivamente”. Agora vejamos uma crítica mais embasada,

 “A primeira (crítica) se refere, já temos visto, à cegueira que a doutrina impõe frente à natureza do ser humano, à oclusão definitiva do caminho biológico para aproximar-se dele. A segunda surge do irracionalismo imposto pelo método e do bloqueio a toda tentativa de sistematização e generalização que determina. Sem ordenação racional e sem possibilidades de generalizar conhecimentos não se pode construir nenhuma ciência” (Seguin, 1960, pág. 111)

Bucher faz uma crítica mais pesada,

 “… é esta a concepção que a fenomenologia e a Dasein-análise desenvolveram sobre o amor e a co-existência – concepção idealista ou mesmo um pouco mística, colocando a noção do ‘amor puro’, de disponibilidade total para com o outro, acima de qualquer influência impura de intenções, vontades ou desejos, sejam eles conscientes ou inconscientes” (Bucher, 1989, pág. 35).

 Mais na frente o mesmo Bucher denomina a visão fenomenológica de idealista ou espiritualista (ibdem, 1989, pág. 35). Trata-se o primeiro (Seguin) de uma crítica de dentro da própria abordagem, enquanto o segundo fala com um olhar externo. Estas críticas encontram ecos em muitos outros autores.

Porém, se ouvirmos alguns expoentes da abordagem existencial em seus primórdios, veremos que eles, apesar das críticas que fizeram, não desconsideraram a importância da técnica. Vejamos o que fala May, “a técnica existencialista deve ter flexibilidade e elasticidade para poder variar de um paciente a outro e de uma fase a outra no tratamento de um mesmo paciente” (May, 1967, pág. 107); afirma ainda, “não devemos cair no critério sentimental, demasiado simplificado, segundo o qual na psicoterapia a mera benevolência resulta suficiente” (May, 1965, pág. 179). Binswanger também em um de seus escritos diz que “a análise existencial não pode prescindir durante períodos prolongados, dos métodos terapêuticos tradicionais” (Binswanger, 1965, pág. 42).

Podemos pensar que, se somente a relação fosse suficiente para levar à cura ou elaboração dos traumas e conflitos, então não precisaria de psicoterapia ou psicoterapeutas, um amigo ou parente seria suficiente. Na verdade, em muitos casos são suficientes, mas em muitos outros casos em que a problemática se tornou crônica, em que já se desenvolveram sintomas importantes, um amigo ou parente já não se mostra suficiente para levar a um alívio definitivo do sofrimento. Como diz Bucher,

 “O psicoterapeuta, enquanto ser humano coexiste com seu paciente ou cliente ao mesmo nível do Dasein, mas não se limita a este intercâmbio ‘puro’, comunicativo-existencial. Algo de diferente, algo de novo se acrescenta à sua ação sobre outrem, para lhe conferir uma eficácia especificamente terapêutica. Este novo elemento, ou melhor, esta nova dimensão não pode provir da esfera da coexistência, do mero ser-junto-dos-outros; ela deve proceder de uma esfera diferente, a saber, aquela da disponibilidade terapêutica para outrem, da colocação-ao-serviço do outro, com todos os conhecimentos médicos e/ou psicoló gicos que o terapeuta assimilou no decorrer da sua formação e da sua experiência” (Bucher, 1989, pag. 36)

Portanto, em muitos casos é preciso algo a mais que uma relação de confiança e autêntica. E aqui entra a psicoterapia ou o psicoterapeuta que, com a construção de uma relação sólida, de confiança, aliada a técnicas eficazes pode levar o sujeito à elaboração e superação de seus traumas.

Por outro lado é um engodo o psicoterapeuta ou analista pensar que vai construir com seu cliente uma relação completamente autentica, espontânea e de confiança. Pra começar, a priori, a relação será sempre mediada pelos papéis, há um terapeuta oferecendo um serviço e um cliente buscando usufruir deste serviço. Este enquadramento determina não só papéis, mas lugares e atitudes que devem ser observados desde o princípio do processo. Isto por si só já seria um fator dificultador para uma relação completamente espontânea. Espera-se do cliente que este fale de si e seus problemas, ao passo que espera-se do terapeuta ações que levem o cliente a uma melhora de seu sofrimento, sua dor ou seu sintoma. Isto esta implícito e não precisa ser dito.

Quanto às técnicas psicoterápicas propriamente ditas, Moffatt (1982) divide todas as abordagens em três básicas que ele denominou de terapias repressivas; adaptativas e elaborativas. Nas primeiras “(Eletrochoques, hospícios)… se consegue que o paciente abandone o sintoma”, nas segundas “o psicoterapeuta normatiza a partir do sistema vigente e as terapias elaborativas, pelas quais se ajuda o paciente a escolher-se e chegar a ser ele mesmo” (Moffatt, 1982, pag. 19). Wolberg distingui também “três tipos de psicoterapia (reconstrutivas, reeducativas e de apoio) e uma série de ‘relações de ajuda’ (healing aids)  que chama ‘extraterapeuticas’ ou ainda não específicas” (apud Bucher, 1989). Já Fiorini  (2004) tenta construir uma teoria da técnica na qual

“opera-se um salto teórico importante no nível das técnicas quando se passa, das comunicações categorizadas de acordo com a teoria de cada escola, à tentativa de descrever as intervenções concretas do terapeuta por meio de uma linguagem não comprometida com aquelas superestruturas teóricas” (Fiorini, 2004, pag. 2)

Cita três enfoques teóricos que ele julga complementares no estudo da técnica, o psicodinâmico, o comunicacional e o de aprendizagem e cita ainda as técnicas de apoio, de esclarecimento e de interpretação transferencial (Fiorini, 2004).

Neste ponto cabe uma leitura da relação entre técnica e teoria. Em seus primórdios ambas estavam coladas, porém, podemos dizer que nas últimas décadas houve um descolamento das técnicas e das teorias. O mandamento básico da psicanálise de “pensar alto”, ou seja, a livre associação com seu corolário, a interpretação, já não é mais um apanágio da psicanálise mas o mandamento básico de todas as psicoterapias que tem por base a fala e a escuta. Outras técnicas ligadas ás terapias grupalistas, por exemplo, que em sua origem tinham uma fundamentação fenomenológica, como o psicodrama, foram apropriadas pela psicanálise e outras correntes. A própria hipnose hoje é uma técnica adotada por psicólogos da teoria sistêmica, psicanalítica, humanista e outras, com as devidas adaptações logicamente. Algumas abordagens não conseguiram fazer este descolamento, como exemplo tem a comportamental cujo comprometimento com as ciências positivas lhe confere um caráter mais rígido no que tange às questões técnicas (Bucher, 1989).

Neste trabalho vou abordar especificamente as técnicas nas psicoterapias existenciais. A teoria existencial tem uma grande vantagem sobre a comportamental, a psicanálise e outras teorias em psicologia por ser uma abordagem inclusiva, ou seja, sempre aberta para incorporar novos conceitos na medida que o saber avança. Por outro lado, é preciso deixar claro que nas terapias existenciais a relação é considerada o fator mais importante. É a relação que cura (Yalom, 2006; May, 1965). Uma relação de confiança, de segurança, autêntica – dentro de certo limite imposto pelo próprio contexto – é a base da “cura”, é o que sustenta todo o processo terapêutico. Portanto, vamos falar de técnica deixando claro que a relação estará sempre na frente da técnica. Como diz Yalom “a terapia não deve ser impulsionada pela teoria, mas sim pelo relacionamento” (Yalom, 2006, pag. 17).

Ao falar de relação é preciso explicar melhor o tipo de relação, pois, de qualquer forma, o setting terapêutico se configura em última análise em algum tipo de relação. Bucher (1989) elenca em seu trabalho vários tipos de relações possíveis entre terapeuta e cliente, a saber: a relação científica, a de conserto, a de manutenção, de consulta e perícia, de ajuda, a relação pedagógica, a sugestiva, a de apoio e a interpessoal subjetiva. Dentro de nossa abordagem algumas estão definitivamente descartadas como a científica ou de perícia, outras podem ser adotadas de acordo com o contexto, necessidades e demandas do sujeito.

Porém, quando nos referimos à relação, estamos nos referindo a uma relação que Moreno denomina telemática (Weill 1967), Buber (1960) de relação eu/tu, ou seja, autêntica, de pessoa a pessoa, no caso do Bucher a que se aproxima mais seria a interpessoal subjetiva. Seguin (1963) denomina esta relação de “eros terapêutico”. Podemos dizer que, uma vez construída uma relação telemática, sólida, de confiança, ou seja, um  eros terapêutico, a técnica que iremos usar poderá diferir segundo muitas variáveis como o conteúdo ou problemática do cliente, o momento que se encontra na  terapia, sua estrutura de personalidade, etc.

Considerando ser a existencial uma teoria aberta, considerando também este descolamento da teoria e da técnica como bem diz Fiorini (2004), podemos dizer de início que a existencial vai usar as técnicas existentes. Não se trata de uma terapia repressiva, adaptativa ou elaborativa somente (Moffatt, 1982), nem de apoio, de esclarecimento e de interpretação transferencial (Fiorini, 2004). Estas estratégias estão todas à disposição do terapeuta e este deverá utilizá-las de acordo com o cliente e suas questões, bem como de acordo com suas circunstâncias atuais de vida e o momento em que se encontra no processo terapêutico.

Apesar de trabalhar assumidamente dentro de um referencial existencial Yalom também aconselha: “advirto os estudantes contra sectarismos e sugiro um pluralismo terapêutico no qual as intervenções efetivas são extraídas de várias abordagens terapêuticas diferentes” (Yalom, 2006, pag 15). Yalom é um dos poucos existencialistas que falam abertamente da técnica, talvez pela influência do pragmatismo americano. Em seus textos expõe sua forma de trabalhar e apresenta ou explicita estratégias e técnicas importantes, muitas das quais utilizadas por psicoterapeutas de forma intuitiva ou subliminar, ou seja, inconscientemente e sem sistematização. No entanto, Yalom exatamente por “dar sua cara a tapa”, é um dos terapeutas existenciais mais criticados por uma corrente mais ortodoxa de existencialistas.

Portanto o terapeuta existencial deverá ter um arsenal de técnicas à disposição para utilizar de acordo com as necessidades e demandas de cada cliente. Isto é que é respeitar a singularidade de cada um. Utilizar a mesma técnica com todos, da mesma maneira, independente do momento, questão ou estrutura do sujeito é anular a sua singularidade, destituí-lo do papel de sujeito. Temos que ter conhecimento das técnicas e a flexibilidade para mudar de acordo com cada um em cada momento de seu processo.

 As técnicas 

O que vou apresentar agora é uma primeira tentativa de sistematização de algumas técnicas dentro da abordagem existencial. Não tenho a pretensão de esgotar neste momento o tema, mas sim incitar a discussão, deixada de lado por tanto tempo. É hora de encará-la de frente. Os primeiros psiquiatras existencialistas, por terem uma base eminentemente psicanalítica adotavam basicamente a técnica da associação livre e da interpretação. Boss (1958) assume esta posição e se utiliza inclusive do divã, assim com May (1967). Porém, em sua maioria, como dito anteriormente, os existencialistas falam da teoria, da fundamentação filosófica e epistemológica, dos objetivos do terapeuta, enfim, mas não explicitam seus métodos e técnicas. Vou então tentar sistematizar estes métodos e técnicas e pensar como se encaixariam dentro da linha existencial. Deixo claro que vou beber de várias fontes ou abordagens.

Antes de tudo divido as técnicas em dois grandes grupos: o primeiro denomino técnicas relacionais e o segundo técnicas direcionais. As relacionais recebem este nome devido e serem implícitas á relação, trata-se de manejos que fazem parte do diálogo e são imperceptíveis ao cliente. Este não percebe em função do próprio dinamismo da relação, são atitudes do terapeuta que regula seu comportamento de acordo com o conteúdo trago pelo cliente, com o nível de angústia que circula no setting, com o momento do processo terapêutico, dentre outros.

Quanto às técnicas direcionais, antes de qualquer coisa é preciso esclarecer este termo. Utilizo a palavra direcional para diferenciar do termo diretivo, pois, não se trata de dar uma direção ou sugestão ou dirigir o processo do cliente. O termo diretivo é antagônico ao termo não-diretivo, método criado por Rogers (1966) em sua Terapia Centrada na Pessoa. Dentro do nosso contexto, ser diretivo ou não-diretivo é mais uma escolha do terapeuta que será regulada pelas circunstâncias do processo terapêutico. Portanto as técnicas direcionais não são diretivas, pois não sugerem conteúdos ou caminhos para o cliente, mas sim, produzem insights que levam o próprio sujeito a construir suas respostas. Recebe o nome de direcionais porque são dinâmicas e dependem em última instância do terapeuta para guiar o sujeito pelos caminhos de seu próprio pensamento ou psiquismo.

Técnicas Relacionais

Como dito, este termo se refere a técnicas ou manejos fundamentais para que o terapeuta possa levar a termo com sucesso a terapia. Estas estão embutidas na relação e são em grande medida imperceptíveis ao cliente. Muitas inclusive são utilizadas por psicoterapeutas de forma intuitiva ou inconsciente. Sem mais delongas vamos a elas, lembrando que não tenho a intenção de esgotá-las. Trata-se apenas de uma contribuição inicial que espero possa instigar outros terapeutas a pesquisar e enriquecer a discussão. Técnicas diretivas, de apoio, esclarecimento, sugestivas, adaptativas enfim, se enquadram no rol das relacionais.

Por outro lado, a técnica básica psicanalítica da livre associação e interpretação hoje é o mandamento básico de praticamente todas as psicoterapias que tem por base a fala e a escuta. O que vai diferir um pouco é a interpretação que será sempre dentro do referencial teórico de cada terapeuta. A livre associação pode se enquadrar tanto nas técnicas relacionais como nas direcionais, dadas as características do contexto de uma sessão de terapia em que os papéis por si só já impõe determinadas atitudes esperadas por ambos os atores.

Fiorini (2004) cita algumas atitudes do terapeuta e algumas formas de intervenção que se enquadram dentro das técnicas relacionais, vejamos primeiro as atitudes: contato empático manifesto, acolhimento, espontaneidade, iniciativa, clareza do método expositivo, exposição aberta de seu método de pensamento, inclusão do terapeuta como pessoa real[2]; quanto às formas de intervenção cita: interrogar, proporcionar informações, confirmar ou retificar, elucidar, recapitular, assinalar, interpretar, sugerir, dar um enquadre, meta-intervenção, “outras intervenções (cumprimentar, anunciar interrupções, variações ocasionais de horários etc)” (Fiorini, 2004, pag 160)[3].

Outras técnicas que se enquadram dentro da categoria das relacionais já são bem conhecidas e consagradas como o já citado método não-diretivo de Rogers (1966). Dentre as técnicas relacionais, além das já citadas, vou acrescentar três. Não há espaço neste artigo para uma explicação muito exaustiva de cada uma, mas vou citá-las e dar uma breve explicação.

  • Função continente (Zimerman, 2000): é sabido que pouca angústia torna a terapia improdutiva, mas por outro lado, um nível elevado de angústia estanca a palavra e também torna o processo improdutivo. A função continente é uma das mais importantes dentro do processo terapêutico, é fundamental para o terapeuta, pois através dela é que este irá regular o nível de angústia que circula em uma sessão de psicoterapia. Quanto mais angústia, mais continente devemos ser, quanto menos, mais podemos deixar nosso cliente fazer suas associações livremente. Destaco novamente Fiorini (2004) que fala de uma associação livre e uma associação guiada.
  • Transferência e transparência (Yalom 2006): o terapeuta deve regular com muito cuidado até que ponto ele se oculta e se mostra ou expõe. Ocultar informações sobre nós, assumir uma atitude de tela em branco ou “suposto saber” vai possibilitar a transferência, fenômeno muito importante para o processo terapêutico. Porém, a transferência é uma relação velha, repetitiva e estereotipada. Ser um pouco transparente vai possibilitar a construção de uma relação telemática, nova, em que o cliente pode ser mais espontâneo, em suma, ser ele mesmo. É um engodo pensar que se mostramos ou expomos algo de nós, isto irá impedir a transferência, a prática clínica já mostrou o contrário. Temos que regular e manejar com cada cliente até que ponto me mostro ou me oculto. Me ocultar possibilita a transferência ou relação transferencial, me mostrar com espontaneidade possibilita a construção de uma relação telemática. A clínica é soberana.
  • Ativação do aqui-agora (Yalom, 2006): em todo o processo terapêutico há momentos retrospectivos, em que se fala do passado, de sua história vital (Binswanger, 1967). Por outro lado, a terapia existencial também da importância ao futuro, aos planos e projetos, é para o futuro que olhamos o tempo todo, portanto tem um caráter também prospectivo. Mas a prioridade é do aqui-agora, nas palavras de Yalom

“o aqui-agora é a principal fonte de poder terapêutico… o melhor amigo do terapeuta… refere-se aos eventos imediatos da hora terapêutica, ao que acontece aqui (neste consultório, neste relacionamento, na  intermedialidade – o espaço entre mim e você) e agora, nesta hora imediata. É basicamente uma abordagem não-histórica e tira a ênfase (mas não nega a importância) do passado ou de eventos históricos da vida exterior do paciente” (Yalom, 2006, pag 54)[4]

As técnicas relacionais são de suma importância para a construção de uma relação de confiança, autêntica, para o advento do eros terapêutico, exigi presença do terapeuta e uma percepção apurada acerca de seu cliente. Sua estrutura de personalidade, suas queixas, o momento no processo terapêutico, o nível de angustia que circula entre ambos e muitas outras variáveis devem ser consideradas a fim de avaliar a melhor estratégia ou manejo técnico. O momento de ser mais ou menos continente, de dar uma orientação, um esclarecimento, ou fazer uma pontuação e interpretação. Até que ponto me mostro ou me oculto. São manejos fundamentais para o sucesso da terapia.

Técnicas direcionais

Quanto às técnicas direcionais, estas recebem este nome por serem técnicas dinâmicas e que dependem de uma direção do terapeuta. Em sua maioria se utilizam, além da fala, também o corpo ou corporalidade. Exigem um manejo mais cuidadoso do terapeuta. Não são diretivas no sentido de se dar respostas prontas ou sugestões ao cliente. O conteúdo vem do cliente e o manejo destas técnicas vai possibilitar insights e abertura de novos caminhos no processo terapêutico.

São técnicas já consagradas pela prática clínica, seja individual ou grupal. E devidamente adaptadas ao setting e ao contexto. Técnicas da Gestalterapia, do Psicodrama, da Sistêmica, até mesmo da cognitiva ou comportamental podem ser usadas com as devidas adaptações. Até mesmo técnicas de auto-ajuda que se incluem dentro da chamada Psicologia Positiva. Vou citar algumas, as mais usadas ou conhecidas, sem a pretensão de esgotá-las. Lembrando que aqui cabem as mais diversas técnicas advindas das mais variadas abordagens.

  • Cadeira vazia: técnica muito usada na Gestalterapia;
  • Técnicas psicodramáticas: hoje já se utiliza também na terapia individual, denominado psicodrama bi-pessoal;
  • Técnicas de relaxamento e hipnose: que levam a uma dissociação interna em que a dimensão consciente fica em suspensão e o subconsciente fica mais livre para “trabalhar”. Hoje há inclusive uma corrente de psicanalistas que a utilizam na análise, trata-se da Hipnoanálise (Malomar).
  • Técnicas como desenhos e escrita;
  • Para casa: em muitas ocasiões pode ser útil a indicação de atividades para serem realizadas no período entre as sessões.

Essas técnicas são muito eficazes em vários momentos do processo terapêutico, principalmente aqueles em que as resistências estão mais evidentes ou exacerbadas. Trabalham as resistências ou no nível corporal e vivencial ou no nível subconsciente, facilitando a emergência do material reprimido, levando a uma conscientização mais rápida e eficaz pelo cliente de seus padrões e comportamentos rígidos e calcificados e de suas defesas sintomáticas. Se bem conduzidas pelo terapeuta, podem acelerar muito o processo psicoterapêutico. Afetos reprimidos que, com as técnicas ortodoxas, tradicionais levariam meses ou anos para vir à tona, com uma técnica psicodramática, gestaltista ou a hipnose  podem emergir em uma ou poucas sessões.

Não se trata em se transformar em um hipnoterapeuta ou psicodramatista, mas sim, de ter conhecimento dessas técnicas para poder aplicá-las em momentos estratégicos do processo terapêutico. Ter a percepção e sensibilidade para saber o momento de usar as técnicas e a flexibilidade para passar de uma abordagem mais clássica ou tradicional baseada na linguagem, para uma mais dinâmica e vice-versa.

Por outro lado, as técnicas relacionais são intrínsecas á relação, estas deverão estar sempre presentes numa medida ou outra e ocupam o maior tempo do processo terapêutico. Importante saber também a hora de usar as técnicas relacionais e os momentos mais indicados para usar as técnicas direcionais. Ambas se complementam.

Conclusão

Deixei de lado algumas técnicas muito importante e também polêmicas, uma dela é a de se focar o sintoma ou sua causa, ou seja, usar uma técnica adaptativa ou elaborativa/interpretativa? Não há dúvida que no que tange à psicologia clínica temos que focar a causa, sem no entanto perder da vista o sintoma, pois é a expressão de algum conflito. A existencial procura focar as causas mas sem deixar de trabalhar ou negligenciar o sintoma. Cabe novamente ao terapêuta saber a hora de desviar da causa e se voltar para o sintoma, e por outro lado retornar ao trabalho de base, mais fundamental que é essa compreensão do Existente ou da Existência.

Outra questão não menos importante e ligada à questão do foco é a do dignóstico, Castillo aborda este tema:

“em primeira instância, temos examinado nossos enfermos com  os métodos clássicos da medicina, da psicopatologia e da psicanálise. Temos formulado o diagnóstico e o prognóstico e indicado a terapia de acordo com os cânones aprendidos na universidade e na prática profissional. Em outros termos, temos começado tratando nossos enfermos como se fossem um problema, de maneira abstrata; temos olhado a enfermidade e não o enfermo… em segunda instância temos meditado, refletido e intuído, em uma palavra, temos recolhido, como diz Marcel, chegando ao cabo de muito tempo, às vezes bruscamente, por espécie de pura iluminação a decifrar as modalidades existenciais que iremos expor na continuação… tratando em segunda instância aos enfermos como um mistério, o ‘Dasein’ que é o psicoterapeuta pode aclarar o ‘Dasein’ que é o enfermo” (Castillo, 1966, pag 15).

Neste trecho Castillo expõe seu método de trabalho, o que inclui o diagnóstico. É um engodo pensar que um diagnóstico possa carimbar pra sempre o sujeito impossibilitando a cura, a mudança, o crescimento ou mesmo um posicionamento do cliente em relação ao mesmo. O diagnóstico é um momento importante do processo e cabe sim ao psicólogo fazê-lo. Este servirá como um guia para sabermos como conduzir a terapia. O erro ou risco é o de ver o cliente não mais como uma pessoa, mas como uma classificação psiquiátrica. São três os antídotos para isto: conhecimento teórico-técnico, colocar a relação e a compreensão na  frente da técnica, discussão de casos clínicos com colegas psicólogos e/ou a equipe de saúde e uma atitude sempre vigilante em relação aos sentimentos que surgem em si, diante do que o cliente lhe traz.

O fim da terapia é outra questão importante e vai depender do foco, dos seus objetivos e outras variáveis. Ao questionarmos a existencial e suas técnicas, podemos dizer que, dentro de um certo ponto de vista, colocar a relação na frente da técnica não deixa também de ser uma técnica ou uma forma de manejo.

Hoje, a formação do terapeuta deve ser, e é muito mais ampla e complexa. O instrumento  principal do terapeuta é, em suma, ele mesmo. Quanto maior a experiência de vida ou seu repertório experiencial, quanto maior a bagagem teórica e técnica, e temos que acrsentar quanto mais “terapizado”, mais condições tem o terapêuta de lidar com as angústias de seus clientes, de se colocar no lugar do outro no entanto sem sair do seu, construindo uma relação autêntica, telemática, um eros terapeutico, onde não só o paciente mas ambos crescem como pessoa, e o terapêuta também como profissional.

Bibliografia

_ Binswanger L. “Análisis Existencial y Psicoterapia” in Ruitenbeek H. M. (org.) “Psicoanálisis y filosofia existencial” Buenos Aires: Editorial Paidos, 1965.

_ __________ “La locura como fenomeno biográfico y como enfermidad mental: el caso Ilse” in May R., Angel E., Ellenberger H. F. (orgs.) “Existencia” Madrid: Editorial Gredos, 1967.

_ Boff L. “Ecologia: grito da terra, grito dos pobres” 2.ª ed. São Paulo: Ática, 1996.

 _ Boss M. “Psicoanalisis y Analitica Existencial” Barcelona: Editorial Cientifico Medica, 1958.

 _ Buber M. “Yo y tú” Buenos Aires: Galatea Nueva Visión, 1960.

 _ Bucher R. “A psicoterapia pela fala: fundamentos, princípios, questionamentos” São Paulo: EPU, 1989.

 _Castillo C. R. “Ideas para uma psiquiatría Existencial” Buenos Aires: Panamericana, 1966.

 _ Erickson M. H. “Hipnose médica e odontológica: aplicações práticas” São Paulo: Editorial Psy, 1994.

 _ Fiorini H. J. “Teoria e técnica de psicoterapia” São Paulo: Martins Fontes, 2004.

 _ Frankl V. E. “El dios inconsciente” Buenos Aires: 1955.

 _ Giddens A. “Modernidade e Identidade” Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.

 _ Haley J. “Estratégia en Psicoterapia” Barcelona: Toray, 1966.

 _ Hall S. “A identidade cultural na pós-modernidade” 7.ª ed. Rio de Janeiro: DD&P, 2002.

 _ Lyotard J-F. “O pós-moderno” Rio de Janeiro: José Olympio, 1986.

 _ Lipovetsky G. “A era do vazio” Lisboa: Relógio d’água, 1983.

 _ May R. (org.) “Psicologia Existencial” Buenos Aires: Editorial Paidos, 1961.

 _ May R. “Contribuciones de la psicoterapia existencial” in May R., Angel E., Ellenberger H. F. (orgs.) “Existencia” Madrid: Editorial Gredos, 1967.

 _ Minayo M. C. S. “O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde” 3.ª ed. São Paulo: Hucitec/Abrasco, 1994.

 _ Moffatt A. “Terapia de crise” São Paulo: Cortez, 1982.

 _ Portela M. A. “A crise da psicologia clínica no mundo contemporâneo”  in Estudos de psicologia. Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Centro de Ciências da vida. Programa de pós-graduação em Psicologia. Campinas, SP, v. 25 n. 1 jan./mar. 2008.

 _ Rogers C. R. “Psicoterapia Centrada en el Cliente” Buenos Aires: Editorial Paidos, 1966.

 _ Santos B. S. “Um discurso sobre as ciências” 5.ª ed. Porto Alegre: Afrontamento, 1987.

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 _ Weill P. “Psicodrama” Rio de Janeiro: CEPA, 1967.

 _ Yalom I. D. “Os desafios da terapia” Rio de Janeiro: Ediouro, 2006.

 _ Yalom I. D., Leszcz M. “Psicoterapia de Grupo: teoria e prática” Porto Alegre: 2006.

 _ Zeig J. K. “Vivenciando Erickson” Campinas: Editorial Psy, 1985.

 _ Zimerman D. E. “Fundamentos básicos das grupoterapias” 2.ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

 [1] Não entro aqui no mérito acerca de modalidade da psicoterapia, ou seja, existencial-humanista, existencial-fenomenológica ou outra linha, mas às psicoterapias existenciais de mas forma geral.

[2] Cabe aqui alertar que Fiorini prioriza a técnica, é antes de tudo um tecnicista. Bucher (1989) faz uma crítica a Fiorini: “trata-se essencialmente de um trabalho sobre psicoterapia breve, com algumas considerações mais amplas. Estas se desenvolvem segundo um enfoque que procura constituir ‘uma teoria das técnicas de psicoterapia em que esteja incluída uma consideração crítica de alguma de suas bases ideológicas’ – projeto bem concebido pelas suas intenções, mas cuja execução não faz justiça à pretensão anunciada” (Bucher, 1989, pag 58)

[3] Os parênteses são do próprio autor.

[4] Os destaques em itálico e os parênteses são do próprio autor.

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Caminhando e pensando…

MEDITAMUNDO VIII

 

 

ÁS VEZES ME SINTO EM EBULIÇÃO, EFERVESCÊNCIA. UMA PARTE DESTA ENERGIA VAI PARA A PRODUÇÃO, O TRABALHO, A ESCRITA.

 

MAS UM RESTO, UM EXCESSO TENHO QUE DESCARREGAR ALI DO OUTRO LADO DA PONTE, NA TERCEIRA MARGEM……….

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PELO RESGATE DO SER – Caminhando e pensando…

Palavras de ordem do capitalismo selvagem, do individualismo exacerbado:

CONSUMAM! CONSUMAM! CONSUMAM!

COMPREM! COMPREM! COMPREM!

TENHAM! TENHAM! TENHAM!

Só assim vamos ter um suparávit! Só assim vamos crescer! Só assim você será alguém!

E nossos políticos e empreiteiros vão poder roubar mais ainda!

E nossa elite podre vai continuar comendo caviar e rindo do povo!

OPERARIOS-TARSILA-DO-AMARALBasta o império do TER

PELO RESGATE DO SER!!!

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Caminhando e pensando…

MEDITAMUNDO VII

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Diário de bordo – um psicólogo na urgência e emergência: um plantão atípico.

DIÁRIO DE BORDO

enfermaria plantão atípico

Este texto foi publicado na Revista eletrônica “Políticas e Saúde Coletiva” (v. 1, n.º 1, 2015), que a FEAD está lançando este mês. Difere um pouco, em diversos aspectos, dos demais textos desta seção, principalmente na formatação em que utilizei das normas exigidas por seus editores.

A revista traz ainda outros artigos de Psicologia e Odontologia, vale a pena conferir (http://revista.fead.br/index.php/psc). Não reproduzo no blog o artigo, pois considero importante que o leitor acesse a revista e conheça esta iniciativa importante e que se constitui em mais um espaço para produção e divulgação do saber. Em breve vou disponibilizar o artigo na íntegra aqui no blog. Segue o resumo e um link para acessá-lo.

A Psicologia nas urgências e emergências: 

Um plantão atípico

Resumo

Este artigo, de caráter fenomenológico e descritivo, narra a história de um plantão atípico de um psicólogo no ambulatório de um grande hospital de urgências e emergências. Apesar de o foco ser na narrativa, à medida que a mesma evolui o autor procura explicar suas intervenções e fazer articulações teóricas e técnicas. O texto apresenta três casos clínicos, inicia e termina com um caso de óbito, sendo a cena principal de um paciente em surto paranóide e suas atuações.

http://revista.fead.br/index.php/psc/article/view/386/305

Paz para todos!

 

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Caminhando e pensando…

MEDITAMUNDO VI

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GEEP – Conteúdo programático

MEDITAMUNDO V

Conteúdo programático:

1_ A ciência da Psicologia e a Espiritualidade como campos distintos de saber.

O processo horizontal e vertical e as especificidades da cada campo.

A influência da Psicologia no campo da Espiritualidade;

A influência da Espiritualidade no campo da psicologia.

2_ Espiritualidade e Psicologia: articulando conceitos

O eu, o psiquismo e o inconsciente na Psicologia e na Espiritualidade;

Energia e informação;

Desejo e vontade.

3_ Espiritualidade X Psicologia ou Espiritualidade e Psicologia?

Fechamento.

Este programa pode ser alterado de acordo com andar da carruagem e com as demandas específicas do grupo. O Objetivo é mais de estudos teóricos, mais conceituais e técnicos, porém, ao longo do ano vamos refletir sobre a prática em ambos os saberes.

 

Paz para todos

 

 

 

 

 

 

 

 

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Caminhando e pensando…

Tenho convicção que, do jeito que as coisas andam, só o Amor, a Compaixão e a Espiritualidade maior serão capazes de superar e deter este processo auto destrutivo que a humanidade se encontra!

MEDITAMUNDO IV

NAMASTÊ!

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Grupo de Estudos de Espiritualidade e Psicologia

20150120_151450Caros Amigos e Amigas,

Este é um lembrete e uma segunda chamada!

MATRICULAS até 06/03/2015

VAGAS LIMITADAS

Investimento: R$ 120,00 mês.
É um espaço aberto para estudar e refletir sobre ambos os saberes e sua articulação, na busca de uma compreensão maior de nós, do mundo e de nosso caminho no mundo.
Rua Ceará 211 sl 204 Santa Efigênia (em frente a Maternidade Otaviano Neves)
Início: 10/03/2015 Término: 24/11/21015
Contatos: 8449-8809 ou marco.portela01@yahoo.com.br
Coordenação: Prof. Marco Portela.

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